No avião, sento ao lado de duas missionárias de igreja evangélica qualquer, meia idade estampada nos rostos, frases rápidas e voz alta. A que está ao meu lado, poltrona do meio, aparenta extrema calma. Já a outra, na janela, parece nervosa, oração que não pára, o medo revelado nas palavras cada vez mais exaltadas...
“Pai! Em tuas mãos entrego minha vida e este vôo...”
A que não prega continua a conversar comigo. Conta ter vindo de Fortaleza ainda muito nova, se chama Paula e vende perfumes nas horas vagas, o evangelho sendo sua real vocação. Me explica que vai a Marabá visitar famílias, programa da igreja para ficar sempre ao lado de seus crentes...
“...a sua misericórdia é imensa, meu Deus...”
“...e confio nas tuas palavras sagradas, Senhor...”
O homem do meu lado, no outro corredor, olha-me com pena e reprova a fé da missionária que ora, a voz altíssima que perturba a todos. Para meu espanto ele próprio puxa papo comigo, palavras críticas e provocativas às minhas companheiras de vôo, algo que entendo como afronta desnecessária. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar, fecho os olhos e tento dormir sem brigar com ninguém.
(...)
O táxi voa e me deixa no Terminal e Feira Miguel Pernambuco, também conhecido como Rodoviária do Três. Pelo nome, fiquem livres para imaginar o que bem quiserem sobre o local, mas eu vou ajudar: são 06h30min e o Terminal já está sujo, restos de comida pelos cantos, copos e garrafas plásticas largadas por tudo. Há uma revoada de moscas que busca se alimentar, bichos que me impossibilitam de escrever, braços e mãos feito pista de pouso! Mudo de lugar duas, três vezes... Desisto! Parece que sou o único que se incomoda, os outros passageiros em estranha letargia, a sucessão de ônibus e vans sujas no pátio, o embarque constante de móveis, caixas e crianças, a miséria estampada em tudo!Meu ônibus chega com pequeno atraso, o radiador quebrado perto de
Optei por dividir a mesa com família de índios que estava no mesmo ônibus que eu. O pai se chama Dudu Kayapo e estava viajando com suas filhas, Nhaprati e Ngrenhmoro Kayapo, voltando de São Felix do Xingu, festividade de outra aldeia. Pretendiam chegar em sua casa, na aldeia
6 comentários:
Cara, fantástica a história... teus ' diários de viagem' são muito bons e divertidos rs.
Feliz tb por teres aprendido a editar as fotos, ou mexestes na máquina?
(caí do 3G na hora q te perguntava isso e fui dormir. viva teu 'uairilessis' atual rs).
As fotos estão sem a ' nuvem de fumaça', enfim...
Desejo um bom , porém, emocionante retorno a capital rs
W
Por que achas que opto sempre pelo forma mais complicada de viajar? Por que assim tenho sempre o que escrever, muitas histórias e coisas interessantes. A volta vai ser, certamente, boa! Mas vou ficar atento a tudo para novos textos.
Abraços!
Linda a foto das duas meninas, Formiga! Como fazes pra ficar preto e branco??
beijos!
Adorei a parte da missionária orando alto kkkk. Deve ter sido muitoooooo engraçado!
Mas o que mais gostei mesmo foram as indiazinhas...pq será? kkkkk
Beijos.
Taty! Das duas uma: ou fazes a opção na tua máquina, ou usas um programa de edição de fotos que faça as mudanças para ti! Mas é a coisa mais simples que há!
Luana, a missionária falava muito alto, você não imagina! Já as índias... não sei! Porque será?
Purisso que detesto essas crente, so sabem gritar que jesus aqui jesus isso. Na floresta donde eu vim num tinha disso não. tá bacana a foto das meninas indio
Postar um comentário