sábado, 2 de outubro de 2010

E o palhaço se elegeu

Ele tentou várias carreiras e nunca foi bem sucedido em nenhuma delas. Ele tem pouco estudo e muito do que aprendeu foi com a vida. Um dia ele virou comediante e, no papel de palhaço, se tornou nacionalmente conhecido. Um dia ele resolveu entrar para a política. É dono de frases desconcertantes como Quero arranjar um trabalho bem pago pra poder ajudar meus amigos e parentes. Também quero ter assessores e ganhar um monte de coisas de graça”, A verdade é que não temos nenhuma plataforma partidária, mas fingimos ter uma” ou "Pior não fica". Mesmo com tais frases, se elegeu para um importante cargo político em seu país.
Tiririca, certo?
Errado!
Estou falando de Jón Gnarr, personagem inventado pelo cidadão islandês Jón Gunnar Kristinsson, que venceu as eleições de maio de 2010 para Prefeito da capital Reykjavík, o segundo cargo mais importante da hierarquia política do país, perdendo apenas para o de primeiro-ministro, com 20.666 votos, 34,7% do eleitorado.
Prefeito de Reykjavík, capital da Islândia, o palhaço Jón Gnarr
"Pior não fica"
Para poder se candidatar Gnarr fundou seu próprio partido, o Melhor Partido, que "tem a grande vantagem de poder fazer muito mais promessas do que seus concorrentes políticos pelo fato de não ter, assumidamente, a menor intenção de cumprir qualquer uma delas. Muitos eleitores afirmam ter sido exatamente esta a razão pela qual votaram em Gnarr: nenhuma plataforma de governo lhes soara tão honesta."
As promessas do palhaço incluíam "toalhas grátis em todas as piscinas públicas, ônibus gratuito “para estudantes e pobres coitados”, tratamento dentário grátis “para crianças e pobres coitados”, um Parlamento sem drogas até 2020 e – verdadeira pedra de toque do programa – um urso polar para o minizoo. Segundo Gnarr, a medida atrairia multidões de turistas e aumentaria a receita do combalido erário municipal. (...) No seu discurso de vitória, Gnarr tranquilizou a população: “Ninguém deve ficar assustado com o Melhor Partido”, assegurou, “porque ele é o melhor partido. Se não fosse, seria chamado de Pior Partido, ou Partido Ruim. Nós nunca trabalharíamos para um partido assim.” Aduziu, a título de argumento definitivo: “E pior não fica. "
E para quem acha que a coisa toda só poderia ter um destino, a bancarrota, mude seus conceito - a administração municipal vai muito bem. "O dia a dia do prefeito é acompanhado por 35 mil pessoas que o seguem no Facebook, o que corresponde, num país de 320 mil pessoas, a mais de 10% da população islandesa, ou quase 30% dos habitantes de Reykjavík. Diariamente, a turma é convocada a participar de microplebiscitos virtuais sobre questões da cidade: “Ônibus devem ou não ser gratuitos para menores de 18 anos?” “Quebra-molas devem ser abolidos?” “Os postes do centro são bonitos ou feios?”Nas sete piscinas públicas da capital, toalhas de graça e gratuidade para crianças com menos de 5 anos aumentaram, só nos primeiros onze dias, em 60% a frequência da meninada.
(...)
Um mês depois de assumir – e mesmo não tendo resolvido a questão do urso polar, cuja ausência no minizoo é conspícua –, 71% da população se diz satisfeita com Jón Gnarr. Alguns se assustam com tamanha popularidade. “O Melhor Partido foi formado em torno de um tipo de líder supostamente bufão e apolítico”, analisa o professor de literatura da Universidade da Islândia, Ármann Jakobsson. “Isso não é novidade. A Forza Italia de Silvio Berlusconi é outro exemplo de um partido que se dizia contrário aos políticos tradicionais.” "
Com tamanha popularidade, não falta quem o defenda de críticas e comentários jocosos: “Todos os políticos são uns idiotas. Pelo menos Gnarr é um idiota engraçado”, disse uma fã, dia desses.
Se quiser ler o texto na íntegra, aqui vai o link para da Revista Piauí.

2 comentários:

Maick William O. Costa disse...

Eu não sei se fico tranquilo ao ler uma notícia dessas ou se fico mais preocupado. É certo que o Gnarr parece ter feito a mesma "plataforma" que o nosso excelentíssimo Tiririca (ele irá ser chamado assim!) está a fazer, mas e o nível cultural? E o nível cultural da própria população que na Islândia está a fiscalizar o trabalho do Gnarr? Vamos comparar com a eficiente fiscalização que a população brasileira faz de seus "amados" representantes e tirar nossas conclusões. Longe de existir em algum país do mundo um sistema perfeito, sem corrupção, mas a população em qualquer "bodega" desse mundão aí afora deve fiscalizar todos os passos de quem ela elege. Esse é o ponto-chave.

Tanto disse...

Concordo, amigo. Comparar o nível de instrução do eleitor da Islândia com o do brasileiro complica qualquer comparação. Aqui em Belém, por exemplo, o Prefeito sumiu. Imagina dar as caras em Facebook ou Twitter para questionar a população...