terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tomografia de Hugo Chavez

Não sei de quem é a autoria dessa charge. Se alguém puder me ajudar, agradeço. Enquanto isso, riam.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Racionalidade Absoluta

Acabo de tuitar que o maior inimigo do homem é sua mente, o ser silencioso e imprevisível que parece agir de forma apartada de nosso querer. Quem, em sã consciência, deseja sentir ciume, raiva, medo ou insegurança? Ninguém opta por isso e, se fossemos marcianos e utilizassemos mais do que os míseros 10% de nosso cérebro, certamente seriam sentimentos extintos, a racionalidade que seria absoluta. Grande parte do ruim que nos assola é fruto exclusivo de nossa mente, do inimigo interno que dormita acima do nosso pescoço e está sempre pronto à certeira rasteira que levará ao fundo do poço. Disso surge a depressão, que te segura no quarto escuro, o medo, que te faz agredir, o pavor e a insegurança, que te congelam e impossibilitam a ação. De tudo achas que deves te defender, um soco nunca certo que tua mente faz crer real. Minha mãe diz que o grande inimigo do homem é sua mente. Cresci escutando isso e fiz verdade absoluta em minha vida. O grande trabalho do homem moderno é ir contra sua falta de razão, manter a racionalidade em sua vida mesmo se o comandante der ordens contrárias. E não esperem que escreva sobre a soluçao do problema, a dica infalível que trará a vitória contra o inimigo. Mais fácil que eu pereça, vítima mais do que certa de suas artimanhas.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A ronda da morte

Assusto-me ao perceber a ronda constante da morte somente quando ela se instala em minha vida, o sebo que insiste em ficar nas mãos mesmo depois de mil lavadas, o pavor que gruda na mente em contínuo imaginar de coisas que preferimos calar e esconder, o dia em que o choro se tornará inevitável.

Na minha casa a morte chegou aos poucos, a visão que já não era a mesma, a fala que falhava e o andar que ficava cada vez mais lento e ralo. E esse processo, desprogresso, avançou até o momento em que o olhar ficou vazio, em que o calar virou regra e o andar virou um restar no fundo da rede, mera sobrevivência.

Aos sábados fazemos festa, ela sempre ali, rede posta onde estivermos. E diante das tentativas de instigar ela cala e sorri, sorriso que pode ser simples reação de alguém que viveu feliz, resposta que nunca teremos pois o segredo do rir está perdido bem fundo na mente que, agora, já é só silêncio!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

De Mosqueiro 03

Belém, 08 de fevereiro de 2010.

Carme (sem o M mesmo, marca de personalidade) trabalhava em casa de família mas queria mais, os poucos centavos e falta de desafios que lhe iam tolhendo na lentidão que revolta os inconformados.

Moradora de Mosqueiro, quase em frente à charmosa Prainha, lugar pouco conhecido e inexplorado da Ilha, pouso certo dos “nativos“ que buscam bom banho, Carme viu a possibilidade de ter o “mais“ quando notou que se vendia um pequeno pedaço de encanto, a barraca de madeira simples que se debruça sobre as ondas de águas barrentas.

Com o sonho palpável, Carme tratou de juntar as pequenas economias, os cofres quebrados e devidamente raspados. E a barraca que antes era da Lúcia passou a ostentar o nome manco de M, Barraca da Carme.

A primeira vez que a vi foi num final de tarde, a mare alta que quase a engolia, poucas pessoas bebericando e petiscando enquanto o sol se punha, o lugar repleto de plantas que me lembrou a mãe e seus vasos. Tive vergonha de parar, sabe lá por qual razão, e ainda tinha pressa de chegar à Vila, a resolução de indesejáveis coisas práticas do viver na Ilha.

No dia seguinte voltei, hora certa para fotos, as ondas no lugar em que deveriam estar! Pedi Guarana Garoto, isca de peixe, e me pus a fotografar o que pude, a conversa que fluia com a Empresária e seu filho, os mil recursos do celular que serviram para quebrar qualquer barreira inicial que houvesse. Ao fundo tocava Vetron da Saudade, os bregas antigos que são bons de escutar, a música que era bem melodiosa ainda.

O Guarana, perfeito; a isca, perfeita. Na beira do rio a vida a ser curtida lentamente, o rio que passa e leva os barcos, as sementes e tudo mais do que é feito Mosqueiro. E assim fiquei e conversei, perguntei e prometi voltar com fotos. Me contou a Carme que nos finais de semana rola festa, sempre com a música não muito alta e sem cardápio certo, a boa cozinha do que estiver bom e for comprado no Mercado logo cedo, a surpresa plenamente aceitável diante da cozinheira que não erra a mão.

E assim Carme comprou um sonho, um pedaço onde se pode sentar e ver o dia passar, tomar Guarana Garoto e petiscar coisa qualquer que vai ser boa. E assim vou descobrindo coisa boas na Ilha de Mosqueiro, que se não fosse o tempo e a distância, seria minha morada certa.

Fotos: Fernando Gurjão Sampaio

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

De Mosqueiro 02

Belém, 02 de fevereiro de 2010


Durante anos foi passeio habitual descer a rua do aeroporto até à praça da Capela do Sagrado Coração de Jesus, igreja minúscula que sempre estava fechada. O objetivo da caminhada era chegar à praia do Farol, os meninos em busca das melhores ondas que o final da tarde nos oferecia em Mosqueiro.

A Capela sempre esteve lá, marco do ponto final de nossa caminhada, a água que logo avistaríamos. Mas apesar das inúmeras vezes que por ali passamos, certo é que a primeira vez em que percebi seus detalhes foi em visita inesperada no dia 02/02/2010, um dia qualquer das minhas férias, caminho já traçado para comer tapioca na Vila.

A Igreja é linda, rodeada de belezas únicas e surpreendentes, plantada que está no coração da rua mais movimentada da Ilha. Construida em 1909, reformada em 2000 por iniciativa de uma Gráfica particular de Belém, a chave da Capela fica nas mãos de um dos moradores das redondezas que se prontifica a abri-la para os poucos frequentadores que quiserem alguns minutos de reza.

São poucos, mas orgulhosos da beleza que os acolhe, a joia rodeada de encanto e quase sempre esquecida pelo olhar, a pressa de sempre ao dirigir e prestar atenção nas curvas do caminho.


Fotos: Fernando Gurjão Sampaio.