terça-feira, 24 de agosto de 2010

Garrafão do Norte 01

Belém, 11 de agosto de 2010.

Comer no interior do Pará, nem sempre é uma tarefa simples. Nestes quase três anos como advogado/caixeiro já estive em cidades como Marabá, Santarém, Paragominas e Redenção, locais onde você encontra os mais variados tipos de restaurante e onde se come, em regra, muito bem. Mas também já estive em Anajás, cidade miserável que fica no centro do Marajo, cidade castigada pela malária e que não dispunha, em 2008, de nenhum restaurante. Havia somente precários refeitórios, todos eles com limitação de opções e gostos e, no geral, é o que se encontra andando por aí, pequenos locais, geralmente familiares, onde se come por quilo ou um bom prato feito, o PF.
Esta dificuldade, somada ao fato de não gostar de zanzar por locais que não conheço, fez com que desenvolvesse a técnica dos enlatados – que muitas vezes se mostrou vital à minha sobrevivência. Feijão e almôndegas em lata, por exemplo, são perfeitos para uma breve refeição, ainda mais diante do desespero em que, por vezes, me vejo (aqui em Garrafão, por volta de nove da noite, foi impossível encontrar restaurante qualquer que ainda tivesse comida decente). E para rebater o salgado, sempre tenho uma lata de leite condensado, de preferência o bom e velho Leite Moça.
Para tudo isso tenho um canivete-talher do qual não me desgrudo, mesmo quando vou a grandes cidades do interior do Pará – ainda mais depois de quase ter sido expulso de um hotel em Moju, por volta de 23 horas, ao tentar abrir uma lata de feijoada utilizando uma faca cega e uma gaveta!
Então, essa é a trindade com a qual sempre posso contar pela vastidão e miséria do interior do Pará – feijão e almôndegas em lata, mais Leite Moça, tudo facilmente encontrado em qualquer vendinha de cidade qualquer. Já o canivete-talher vocês podem encontrar em qualquer casa que venda produtos de camping, caça e pesca (há várias no comércio e uma enorme na BR).
P.s.: para não ser injusto – encontrei ótimos restaurantes em Conceição do Araguaia, Abaetetuba e Bragança (aqui, recomendo especialmente o do hotel Solar do Caeté, de fazer inveja a muito restaurante famoso de Belém).

4 comentários:

Jane Murback disse...

Tive um surte involuntário de refluxo.
Tragam meu Mylanta.
Grata.
Jane

Maick William O. Costa disse...

Fora as "desventuras" alimentares devem ter havido outras "desventuras", principalmente digestivas, hein?

Ana Paula disse...

eu fico imaginando tu, de madrugada, tentando abrir a lata com a faca cega... uhauhauhahua o barulho e eles indo bater na tua porta! hahahahahah
só tu mesmo amigo

Tanto disse...

Queridos! É dura a vida de advogado/caixeiro viajante. Mas o melhor é conhecer o interior do Pará: logo logo viro especialista e escrevo um livro.