quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Usenet, o spam e o presunto

Rolava o ano de 1979 quando dois universitários da prestigiada Duke University, Tom Truscott e Jim Ellis, resolveram criar um sistema de redes bem parecido com a Internet. Interligando vários computadores, com o objetivo de trocar informações, surgia a USENET. A troca de informação se dá, principalmente, por meio de fóruns, nos quais são trocados textos semelhantes correios eletrônicos, mas sem a possibilidade de inclusão de imagens ou sons - era o texto puro. Com o passar dos anos, o interesse pela novidade em uma época pré-internet foi crescendo de forma vertiginosa com a interligação de mais e mais micros, além do surgimento de milhares de servidores por todo o mundo (alguns deles pagos, com ilimitada possibilidade de transferência de dados e critérios mais rígidos para postagens, e os gratuitos, com limite de dados e sem muitos critérios de postagem, grandes responsáveis pela prática destrutiva de spam). Até hoje a Usenet não tem uma estrutura centralizada. A Usenet é bem menos utilizada do que a Internet, tanto que no Brasil não é conhecida - e não vou me adentrar nas razões que podem ter levado a isso. E justamente pelo fato de ser pouco conhecida e utilizada, a internet que devasta a concorrência com suas facilidades cada vez maiores, a Usenet tem, geralmente, um nível mais alto em seus grupos de discussão, e mesmo conteúdo que não é encontrado na rede mundial. Apesar de ser cada vez menos utilizada - culpa de suas próprias limitações, da concorrência com a internet e da quantidade crescente de Spam - a Usenet demonstrou seu poder de fogo em 2001, quando o Google adquiriu um servidor que tinha quase todos os artigos já postados desde 1981! Imaginem a quantidade e qualidade de informação postada em grupos restritos e mais selecionados, tudo isso em poder da Google?!

A Usenet tem histórias bem engraçadas, inclusive são muitos os que afirmam ter sido lá o local do surgimento famigerado spam: em 5 de março 1994, uma dupla de advogados de Phoenix, Arizona, Lawrence Canter e Martha Siegel, especializados em casos de imigração, acharam por bem enviar uma mensagem intitulada "Green Card Lottery 1994 may be the last one!..." para pretensos interessados em grupos de discussão específicos na Usenet. Tal fato gerou revolta e diversas manifestações, o que só fez aumentar a ânsia por publicidade dos causídicos. Tanto que eles repetiram o envio em 12 de abril de 1994, desta vez por meio de um programa automatizador de envio, desta vez para TODOS os grupos de discussão da Usenet. A repercussão foi maior e os advogados acabaram entrevistados por jornais e revistas, além de o fato ter sido noticiado em quase todas as redes de televisão americanas.

SPAM é o nome de uma marca de presunto condimentado produzido pela Hormel Foods desde 1930. É uma marca tão conhecida que acabou sendo alvo de uma brincadeira do grupo de comediantes Monty Python: no texto, em uma taberna, um grupo de vikings repete de forma tão exaustiva a palavra SPAM, se referindo ao embutido da Hormel, que acaba ficando burlescamente chato. E a sensação de incômodo que surgia da repetição do termo Spam, acabou sendo utilizada para descrever o incômodo surgido pelo recebimento de mensagens não solicitadas - o que obviamente é combatido de forma incessante pela Hormel Foods, vide o trecho da mensagem encontrada no site da Hormel -

"SPAM & the Internet - We do not object to use of this slang term to describe UCE, although we do object to the use of the word "spam" as a trademark and to the use of our product image in association with that term. Also, if the term is to be used, it should be used in all lower-case letters to distinguish it from our trademark SPAM, which should be used with all uppercase letters."

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Está tudo explicado!

Bispo de Tenerife afirma: "Puede haber menores que sí lo consientan -referiéndose a los abusos- y, de hecho, los hay. Hay adolescentes de 13 años que son menores y están perfectamente de acuerdo y, además, deseándolo. Incluso si te descuidas te provocan".


Sim, a culpa é das crianças, que diante de padrecos galalaus, cheios de autoridade e poder, têm plena capacidade de dizer NÃO!

Breve Manual do Espaço Restrito

O velho ditado de que só sentimo falta de algo quando o perdemos nunca foi tão verdadeira. No caso, a perda foi de espaço, é dele que sinto falta nas complicações diárias de tentar arrumar um pequeno apartamento de forma satisfatória. A bem da verdade, o apartamento não é tão pequeno, mas os problemas existem e têm sido verdadeiros quebra-cabeça. Mentalmente, comecei a elaborar um manual para situações semelhantes, ajuda qualquer para o encaixe das peças que teimam em não combinar. Assim, apresento-lhes o resulta parcial de minhas elucubrações:

1. Meça tudo e tenha sempre uma trena por perto. Tudo tem de ser minuciosamente medido, re-medido e calculado, ou você corre o risco de reformar toda a cozinha e, no final, perceber que a bancada ficou grande e não permite que a porta da geladeira se abra. Para resolver o problema, a solução é simples: coloque a geladeira na área de serviço! Mas na área não há lugar para a geladeira e a máquina de lavar… Neste ponto surge a escolha: roupa limpa ou comida conservada? Obviamente você optará pela comida e, sem máquina de lavar, mais um problema te afligirá: a máquina de lavar, trambolho enorme que não cabe em nenhum outro canto, e a lavagem de roupa que não pode ser feita em casa.

2. Procure móveis sob medida. Nada daquela cama irreal que nem entra pela porta do quarto, ou aquele armário inglês lindo que sua mãe lhe deu, mas que nem fica de pé de tão pequeno que é o pé-direito do imóvel. Contente-se com móveis menores e sonhe com a mudança para a casa maior, o espaço que sobrará e comportará aquele sofá de três peças, a mesa para 12 lugares...

3. Compre móveis e objetos funcionais. Uma boa dica são as rodinhas: tudo que tem roda pode ser facilmente mudado de lugar e re-arranjado, dependendo da situação. Ou seja, entre comprar uma mesa de centro com ou sem rodas, logicamente opte pela última. Reflita ainda sobre a aquisição dos seguintes objetos: um sofá cama, mesmo que você não tenha quem durma lá; ou de cama e sofá com gavetas embutidas na parte de baixo. Certamente não são os modelos mais bonitos, mas você agradecerá por tê-los comprado quando tiver que acomodar aquele primo que veio para o Natal, ou guardar o presente irrecusável que sua avó lhe deu - aquele faqueiro de prata inglesa com 500 peças.

4. Não compre trambolhos. Outro dia vi um forno elétrico que funcionava como grelha e cafeteira (e sabe lá o que mais!?). Era lindo, charmoso e barato, mas era quase do tamanho de um microonda e, de tal forma se mostrava um trambolho, que nem quis conhecer melhor a maravilha. Se você já não sabe onde colocar o botijão de gás, e nem tem uma parede decente para uma televisão, não crie mais uma preocupação com a aquisição de um novo trambolho!

5. Tenha imaginação e ocupe espaços mortos. Ande pelo apartamento e pense, imagine, ouse! Se você olhar bem, vai acabar encontrando alguns espaços que não seriam utilizados, mas que com um pouco de planejamento podem acabar por comportar um bom armário. Vale aquele canto em cima da geladeira, o esquecido vão na sala ou, quem sabe, o espaço que fica sobre sua mesa de estudo. Nessa brincadeira boas idéias podem surgir, e você ainda consegue ameniza, um pouco que seja, o problema com a falta de espaço. E se seus olhos não são treinados o suficiente, pense na possibilidade de chamar alguém para lhe ajudar, arquiteto ou engenheiro, ou mesmo aquele amigo mais criativo e com maior experiência em obras ou reformas.

6. Aprenda a viver com pouco. De nada adianta ter seis toalhas de banho, seis toalhas de rosto, cinco jogos de lençóis e três baldes se você quase é obrigado a dormir no corredor. Quanto mais coisa você tiver, mais espaço vai ter de arranjar para guardá-las. Assim, aprenda a viver com uma quantidade menor, um sábio processo de re-educação de consumo! E isso vale para tudo: objetos pessoais, móveis, livros e comida. No caso de móveis, sobretudo, muito cuidado: se você já mora em um local pequeno, não o deixe menor com móveis que não te permitam andar com a mínima desenvoltura - lembre-se que ali é sua casa, e nada mais desconfortável do que andar na sua sala como se fosse um campo minado, pé ante pé, o cuidado permanente com o quebrar ou trombar com algo (aqui, reler a regra 2, móveis sob medida).

7. Evite coisas que possam significar estresse. Um apartamento pequeno requer um som pequeno, uma televisão pequena… Nada de comprar uma tela plana de 70 polegadas para seu quarto de cinco metros quadrados, ou uma aparelhagem capaz de te ensurdecer, para entreter seus convidados na sala de dois por dois. Fatalmente você ficará com dor de cabeça e acabará por não os utilizar, mais trambolhos que ficarão lá, jogados, lembrete constante de sua incapacidade para lidar com a falta de espaço.

8. Opte sempre pelo que é confortável. Você foi à loja de móveis e viu aquela cadeira linda, toda em couro vermelho e formato de taça de vinho, preço de pai para filho, mas que é dura tal qual pedra. Lembre-se que seu reduzido espaço não permitirá comprar duas cadeiras, o que significa dizer que você e todos os seus convidados serão obrigados a sentar naquela máquina de tortura ad aeternum. Então, quando for comprar um móvel, opte sempre pelo que lhe proporcionar o maior conforto, mesmo que seja o menos bonito ou o menos charmoso, pois você só poderá dispor daquele mesmo (aqui, reler a regra 3).

9. Não acumule trabalho, seja louça suja, seja lixo a retirar. Em uma casa grande, certamente é mais fácil evitar o desagradável encontro com tais relaxos. Mas em uma casa pequena, qualquer coisa fora do local insistirá em lhe encarar de forma ameaçadora. Assim, não acumule trabalho e mantenha tudo sempre em ordem, melhor forma de conviver bem com seu espaço.

10. Tenha uma planta. Plantas não dão muito trabalho e, fora lhes regar e podar, nada mais exigirão de você. Ocupam pouco espaço, além de dar à sua pequena casa um ar mais habitável e confortável. Opte por ter uma planta e você não se arrependerá (e mesmo que se arrependa, é bem mais fácil encontrar um dono para a planta do que para aquele Dog Alemão que você supôs poder manter nos míseros 40 metros quadrados do seu apartamento).

11. Não tenha um bicho. Animais? Evite-os! Em um apartamento muito pequeno, fatalmente um coco ou xixi tomarão grandes proporções, mesmo que seja de um gatinho ou um cachorrinho. Peixes, se não tiverem a água mudada constantemente, resultarão em um constante cheiro de pitiú - e acreditem, trocar a água de um aquário não é coisa simples. Mesmo pássaros, não os recomendo - uma coisa é escutar o canto do sabiá naquela casa de 200 metros quadrados, puro som da natureza perto de você; outra coisa é o canto constante do bicho em um pequeno apartamento de 30 metros quadrados, desgraça aprisionante de não ter para onde escapar. Além disso, lembre-se: animal precisa de espaço próprio e lugar para vasilhas, camas, gaiolas, móveis para aquário, espaço para ração - sem falar na dificuldade já mencionada para arranjar um novo dono para o seu bichinho, no caso extremo de desistência.

São essas as 11 regras que imaginei, em um final de tarde de bagunça e planejamentos mil, o armário que não cabia em local nenhum! Espero que ajudem, espero que me ajudem, e fiquem livres para complementar com novas regras ou observações.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Série

Comecei hoje uma série de postagens sobre Leis, mas não achem que serão postagens jurídicas. Minha vontade é falar de leis que regem a vida comum, leis não escritas, do dito popular. A primeira postagem foi sobre Lei de Murphy e o pessimismo, e a segunda postagem deve sair ainda esta semana. Espero que gostem.

Sobre Leis - Murphy

"Você está preso em um engarrafamento gigantesco e está louco para chegar em casa. Para seu desânimo, percebe que todas as outras faixas parecem estar andando, menos a sua. Você muda de faixa, mas assim que passa para outra faixa os carros param. Com o carro parado, você nota que todas as faixas (incluindo a que você acabou de abandonar) estão andando"
Um dia de fúria!
Esse é um exemplo clássico da Lei de Murphy - tudo que pode dar errado vai dar errado - regra não escrita que serve para explicar quase tudo de negativo que nos ocorre. E apesar de muito falarmos na Lei, quase ninguém sabe quem foi Murphy, nome que hoje é quase sinônimo de azar.
O responsável pelo pão que cai com o lado da manteiga para baixo
Edward Murphy
Pois bem: Edward A. Murphy Jr. era engenheiro e Capitão da Força Aérea norte-americana quando, em 1949, na Base Aérea de Edwards, California, faziam-se testes sobre a capacidade humana em suportar a força da gravidade. Os americanos usavam um treno foguete que simulava a força de uma colisão em uma velocidade de 320 km/h, em um trilho de 800 metros. A parada, em menos de um segundo, era de tal forma brusca que o piloto de testes, Coronel John Paul Stapp, teve ossos quebrados, concussões e vasos sanguíneos rompidos. Para medir com precisão quantos Gs (medida da gravidade) um humano poderia suportar, o Capitão Murphy criou uma série de sensores que deveriam ser presos à roupa do Coronel Stapp enquanto da disparada do treno foguete.
Eddie Murphy não tem culpa de nada!
Os sensores eram caros e frágeis, de difícil produção, pelo que nada poderia dar errado. Mas qual foi a surpresa de todos quando, terminados os testes, o pobre Coronel jogado de um lado ao outro, os sensores simplesmente nada registraram. A resposta para o mistério foi um erro do técnico responsável por ligá-los, que ao se deparar com duas formas de fazê-lo, obviamente "optou" pela errada. Com TODOS os sensores ligados de forma incorreta, e irritado com seu trabalho jogado fora, além da perda da rara possibilidade de judiar do corpo do voluntário, o Capitão Murphy resmungou: "se há duas formas de fazer algumas coisa e uma delas vai resultar em um desastre, é assim que vai ser".
Coronel Stapp, voluntário e saco de pancada:
"Pelo bem da ciência"
Tempos depois, já esquecido o fatídico erro, em uma coletiva de imprensa sobre os testes realizados, o Coronel Stapp comentou que o experimento havia sido vítima da Lei de Murphy. O comentário causou reboliço entre os jornalistas que, pedindo maiores explicações, souberam: "Tudo que pode dar errado vai dar errado!" Em um primeiro momento a afirmação esteve restrita ao meio aeroespacial, mas não demorou para que caísse no dito popular, virasse livro, filme e regra geral.
Exemplo clássico de pequeno problema diário
Mas bem… A Lei de Murphy é válida? É uma verdade absoluta? O que ocorre é que tendemos a dar maior importância aos fatos negativos. Se você for almoçar e não se sujar, certamente não pensará: "poxa, como tão bem que nem me sujei". Por outro lado, basta um escorregão da sua mão para que surja o comentário: "como sou desastrado, sempre me sujo!"
Robinson Murphoé
(fraquíssima, me perdoem)
Quando tudo vai bem nem percebemos, pois as pessoas geralmente esperam que elas sejam assim. Por outro lado, quando elas dão errado, procuramos mil razões para a falha e não atentamos para o fato de que nossa vida é regida por probabilidades - tudo pode dar errado, e tudo pode dar certo! Assim, a Lei de Murphy tira vantagem da nossa tendência de enfatizar o que é negativo e não perceber o que é positivo.
A Lei de Murphy e os brasileiros
Depois disso, pensem que tudo pode dar errado ou certo em nossas vidas, em uma simples questão de probabilidade. E que nada é permanentemente ruim, nem permanentemente bom, pelo que é normal que tenhamos altos e baixos. E parem de culpar o pobre Murphy, que nem quis criar Lei nenhuma, por todos os seus problemas!
Literalmente, vai dar merda!
Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. E se algo pode dar certo, tem grandes chances de dar errado.