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sábado, 9 de abril de 2011

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

É preciso sonhar

Fernando
Quando li tua crônica "Na minha rua" e dizes que tua rua é daquelas antigas me fez lembrar que estou te devendo, e aos leitores que comentaram o texto do Edson Carneiro, outras crônicas sobre Belém. Então, me veio logo à lembrança o capítulo  "É preciso sonhar", do belíssimo álbum Belém do Pará, publicado em 1995 pela Alunorte, com texto de Jota Dangelo e belíssimas fotogradias de Luiz Braga. Como diz o autor do texto sobre Belém, "... no meio desta História viva, embora tão abandonada. É preciso sonhar". Em anexo mando o texto e duas imagens de Belém reproduzidas no álbum.
Beijo
Regina Maneschy

É preciso sonhar

Jota Dangelo. 
In Belém do Pará. Alunorte, 1995, p.102-103

Se for possível, deixe-me ficar aqui à sombra desta vegetação, olhos perdidos no perfil longínquo da Ilha das Onças. Não me peça para ver como a cidade cresceu. Não estou duvidando. Apenas não me apresente aos verticais de vidro rayban. Não quero ver a cidade de coberturas e terraços. Se for possível, deixe-me ficar nesta viela, diante deste casarão arruinado. Não me arraste para estas curvaturas de concreto armado. São inevitáveis, eu sei. Modernas, eu sei. Mas, se for possível, deixe-me ficar aqui no Largo da Pólvora, junto a este coreto do princípio do século, sonhando que ainda existe ali, naquela esquina, o velho Grande Hotel na sua imponência de Rei. Não me convença a vagar por aí, simplesmente, neste chuvisco vespertino e reconfortante. Se for possível, leve-me ao Bosque Rodrigues Alves, ao Museu Goeldi e deixe-me ficar ali, tresvariando, certo de que, a qualquer momento, Pedro Teixeira surgirá em armas, chapéu de penacho, botas de cano alto. Quero o silêncio e a paz desta ilha de verdes, a companhia destes troncos e caules seculares. Não me convide ao burburinho de transeuntes e à sinfonia do tráfego, posto que aí estão, presentes e necessários. 
Mas se for possível, deixe-me no Largo da Sé, ao lado da Igreja de Santo Alexandre, porque ali marquei encontro com Antonio Landi, Padre Vieira e o pintor De Angelis. E já estou atrasado. Eu sei que é preciso ver os últimos conjuntos residenciais que estão sendo erguidos em muitos pontos da cidade e nada é mais convidativo que um passeio pelo Campus da Universidade, mas é que acabou de passar por mim uma mameluca azoada e roliça, que se meteu pela travessa da Vigia com dengos e requebros de quizomba... Mas já se foi. 
É preciso percorrer sim esta avenida ampla, sob este túnel de mangueiras, mas se for possível, deixe-me demorar um pouco nesta Rocinha: estou ouvindo risos de negras angolanas e há um cheiro de fervuras no ar. Deixe-me sonhar que Bates está lá dentro entre seus livros e coleções. Não insista para que eu mergulhe na trepidação da vida noturna, com suas luzes feéricas e intermitentes, o calor humano subindo a temperatura numa demonstração de vitalidade e juventude, e ainda bem que assim seja. Sei que os tempos estão em contínua mutação, e esta agitação é pertinente. Mas é que ouvi, há pouco, pregões de vendedores no Largo do Carmo e som de tambores candomblés no Porto do Sal. O tempo é curto e ainda não fiz minhas compras na Paris N’América e há um concerto hoje à noite no Teatro da Paz, regido pelo Maestro Vicente Collas. Compreenda minha urgência: sei que há sorveterias irresistíveis, que há mocidade nas ruas e nas praças, mas tenho pouco tempo. 
Se for preciso, deixe-me aqui mesmo, pois estou vendo aproximarem-se as gôndolas sonhadas por Gaspar Gronsfeld, que imaginou ver o Piry transformado numa Veneza Tropical. Está vendo os canais que ele projetou, com cais de pedra, ladeados de árvores frondosas de mistura com plantas ornamentais?   
Não me interprete mal. Não tenho nada contra este pulsar da vida, este esplendor de luzes, este encantamento que se irradia e se projeta das gerações esperançosas em direção ao futuro. E que lá chegarão, repetindo a valentia e a trajetória de seus ancestrais. Mais é que neste momento sou muitas Beléms. Todas as Beléms. Por isso, deixe-me aqui. No meio desta História viva, embora tão abandonada. Deixe-me nesta Belém, ao pé do Forte do Castelo, vendo chegar a noite para envolver as águas mansas do Guamá, luziluzindo estrelas neste céu de chumbo. Não se preocupe. Breve virão buscar-me. Sonhei Belém. Não me é preciso mais nada. 

A imagem abaixo reproduz a página 108 do Álbum. Cidade de Belém do Grão–Pará. Acima, Prospecto do poente. Abaixo, Prospecto do norte. Desenho de João André Schwebel. Serviço de Documentação Geral da Marinha, R.J. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Drama azulino

Apesar de ser remista (diletante), a cena fica bem ilustrada, não é?
Enviado pelo Adriano Diniz.

Amazônia – Capital, Belém

O texto é lindo. Foi escrito em 1956 por Edison Carneiro e me foi enviado pela Regina Maneschy: "Como da última vez que mandei matéria para teu blog me queixei de Belém que, como digo, é a cidade da beleza e da cordialidade perdidas, e como encontrei o trabalho de Edison Carneiro, "A conquista da Amazônia", de 1956, editado na coleção Mauá, para o Serviço de Documentação do Ministério da Viação e Obras Públicas, resolvi te enviar o trecho em que ele fala sobre Belém, aliás, o início de um capítulo que ele intitulou significativamente, "Amazônia - capital, Belém".
Edson Carneiro esteve três vezes na Amazônia, em Belém, entre 1954 e 1955. E o relato sobre Belém, delicioso, é fruto de sua convivência com a cidade. Em seguida te mando outros relatos para publicares no blog, mostrando como era essa Belém "singular e inconfundível ... uma cidade peculiar, testemunho vivo da riqueza da Amazônia", como a qualificou Edison Carneiro.
PS. Pedindo licença ao De Campos Ribeiro vou denominar esta série de "Gostosa Belém de outrora"."

CAPÍTULO III
Amazônia – Capital, Belém.

Significativamente, a capital da Amazônia encontra-se à orla oriental da região norte.
A cidade de Belém, fundada (1616) como posto de fronteira, para a expulsão de ingleses e holandeses que exploravam feitorias no baixo Amazonas, devia servir de trampolim para a penetração e a ulterior ocupação do vasto território desconhecido que lhe ficava a oeste. Uma base para o avanço. Enquanto predominou a lavoura de mantimentos em torno de Belém, foi fácil manter a cidade como ponta de lança contra a floresta, mas a descoberta das drogas do sertão, e a sua intensa exploração a partir de meados do Século XVIII, fez da cidade uma cidade e da região amazônica a fonte imediata da sua subsistência, da sua riqueza e da sua expansão.
As comodidades urbanas foram fixando os homens. Porta de entrada da região, única até a abertura do Amazonas à navegação em 1866, a cidade multiplicou as oportunidades e as satisfações que oferecia aos seus habitantes. Não estava perto o mar? Não ficavam a pequena distância os centros tradicionais da civilização brasileira, a começar por São Luís?
A cidade não se expandiu para o oeste, na direção da floresta amazônica, antes recuou para a sua fronteira oriental, na direção do mar (o salgado paraense), num movimento que a Estrada de Ferro de Bragança viria sancionar – e consolidar.
Belém se fez a capital da Amazônia. A distribuição da população mostra que, dos 1.844.655 habitantes da Amazônia, mais de três quintos – 1.123.273 (61%) – vivem no Pará, dos quais pouco menos de quarto – 254.949 (23%) – em Belém (1950). Pouco menos de um sétimo (14%) de toda a população amazônica tem por horizonte a baía de Guajará. Uma concentração para a conquista da região norte – três séculos depois da ereção da praça d’armas do Presépio? 
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Singular e inconfundível, Belém traz a pinta da grande cidade.
Os seus habitantes não se escravizaram ao rio, como acontece em toda a Amazônia, - da Cidade Velha partiram para a conquista da Campina e criaram, na Zona Bragantina, a sua região metropolitana. Do jugo do rio resta apenas o Ver-o-Peso, o mercado público mais pitoresco do país, um formigueiro de gente e de embarcações, vendendo e comprando víveres, animais, plantas úteis e artigos da indústria rudimentar do caboclo.
Um estilo de vida especial desenvolveu-se na cidade.
As ruas com indicação do distrito e da quadra... Os bairros, Sacramenta, Pedreira, Telegrafo sem fio, Cremação, Condor, com a sua sistematização de ruas: no dos Jurunas, tribos indígenas, Tupinambás, Timbiras, Parecis, Mundurucus; no do Marco (da Légua), as vitórias brasileiras na guerra do Paraguai, Lomas Valentinas, Humaitá, Peribebuí, Chaco; no de Nazaré, figuras da república, Deodoro, Ruy Barbosa, Quintino Bocaiuva, Benjamin Constant... A Praça Batista Campos, em que a Prefeitura transformou o antigo parque; a vida “vila” da barca, pescadores e marítimos vivendo sobre a água em casas de madeira arrancada a navios encalhados; a miniatura da floresta amazônica no Bosque Rodrigues Alves... A arborização de mangueiras... Travessas, alamedas, passagens, como a da Volta da Tripa...
As coisas do governo em amarelo, as da Prefeitura em azul... O horário das 7 às 12...
Açaí, tacacá, pato no tucupi, muçuã, bife à Carlos Gomes... A bandeira vermelha à porta, anunciando o açaí... Bacaba, pupunha, cupuaçu, taperebá... As tacacázeiras, às primeiras horas da tarde, vendendo nas esquinas... Cachaça servida em cuia...
A Rua João Alfredo (“rua do comércio”), o Cavador da Vida, o Machado de Aço com um vasto machado (de madeira) do lado de fora, a loja de tecidos que anuncia a sua “sinceridade absoluta” na afirmação de que é a maior da América do Sul... Malas de raspa de couro... Cigarros Terezita... O Buraco Cheiroso vendendo essências da Amazônia...
A Viação Valha-me Deus, empresas de ônibus donas de um veículo, Circular Interna e Circular Externa, os Dirigíveis (tipo Zeppelin) adorados pelas crianças – Cidade de Belém, Guajará, Brasil, Marajó... Uma corrida de automóvel pelos olhos da cara... Os Clippers de parada de ônibus...
Pará Clube, Assembléia Paraense... Os parques de bairro apresentando pássaros, Coati, Tentém, Periquito, Rouxinal, bichos, Beija-Flor, Corrupião, Cigarra Pintada, Saí Azul, Bentevi, bois bumbá, Onze Bandeirinhas, Flor do Campo, Flor do Lomas, Pai da Malhada, Primoroso, Boi Fôrro, Estrela Brilhante... Um dançaraz em cada bairro... O rancho – uma espécie de escola de samba – Não quero me Amofiná, multi-campeão do Carnaval, sob o comando do negro Maravilha... Batuques e pajelanças, com espada (lenço mágico) e cigarros de tauari, o Marquês de Pombal como chefe da linha de tambor:
Tu não me chama de pajé
Sou o Marquês de Pombal
Cadê o barão de Goré?

O Cinema Poeira (“proibido entrar com sorvete”)...
O Museu Goeldi, impossibilitado de expor as suas inestimáveis coleções, limitando-se a manter um pequeno zoo de lontras, poraquês, macacos-prego, araras e tracajás... A Matriz, obra do arquiteto Landi, com afrescos de De Angelis; a igreja do Carmo, a fachada em pedra de liós importada de Portugal; a Basílica de Nazaré, monumento ao Mau Gosto... O Teatro da paz, saqueado nas suas estatuetas, nos seus enfeites e até no seu gerador de força pelas autoridades da república Nova... O cemitério (semi-abandonado) da Soledade... O Grande Hotel com as suas esquadrias protegidas por tela, a sua boite Buraco Frio, as suas escadas de incêndio.
As praias do Mosqueiro e do Chapéu Virado... As manhãs de domingo em Icoaraci... O igarapé das Armas com as margens enfeitadas de louça de barro... O paraíso dos namorados na cúmplice penumbra da Praça da República... Carapanãs...
Adornos pessoais de couro de jacaré e de cobra, souvenirs de guaraná e de patchuli, chapelões de palha de jupati, urupemas quadradas para decoração... Pulseiras (aromáticas) de pau d’Angola...
Uirapurus empalhados, dente de jacaré, prego de coati, olho de boto, muiraquitãs, língua de pirarucu...
A lembrança imperecível do grande prefeito de Belém, “o velho Lemos”...
Uma cidade peculiar, testemunho vivo da riqueza da Amazônia.

CARNEIRO, Edison. Capítulo III. Amazônia – Capital, Belém. In.: A conquista da Amazônia. Ministério da Viação e Obras Públicas: Coleção Mauá, 1956, p. 39-43. 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Directo de Portugal

Bastou dizer que o blog estava sem imagens, somente com textos, e a Maria Regina Maneschy me mandou uma penca delas, retratos de Lisboa e dos portugueses que nós, os espertos brasileiros, bem podíamos copiar.
"Em Lisboa não existe fiação aérea massacrando a arborização das ruas e praças, diferente daqui graças à inteligência e sensibilidade da nossa CELPA. Como você pode ver, aonde é possível, as luminárias ficam nas paredes dos prédios e residências e a fiação corre subterrânea. Assim, Lisboa ilumina suas ruas e as adorna com essas belas luminárias e, ao mesmo tempo, preserva a arborização que dá à cidade um aspecto extremamente agradável, encantador."

Percebam o detalhe da caravela! Em Belém, por outro lado, o prefeito Duciomar mandou colocar pequenos pinguelos laranjas em todos os postes da Almirante Barroso. Viva os espertos!
"Junto vão duas fotos dessas coisas que só o fino senso de humor poderia criar. O "urinol" fica na entrada do Castelo de São Jorge e é uma pequena fonte que brota da rocha que tem sua água canalizada para o esgosto. Ali fizeram uma proteção para que os visitantes pudessem se aliviar sem serem vistos da rua. Por essas e outras é que eu acredito que temos que rever aquela ficção criada pelos brasilerios em torno dos portugueses. Enquanto Belém afunda na barbárie eles cultivam sua cidade, sua beleza e sua cultura. Apesar de tudo, prefeitos e congêneres, repetindo de memória o poeta, BEM BELELÉM! VIVA BELÉM!"


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Entregue aos crápulas

Acabo de receber um e-mail indignado da Karina Pombo, leitora deste blog. O relato feito é absurdo por seu desfecho impregnado de descaso e malevolência, mas tirem suas próprias conclusões:

Na terça-feira Vinicius foi parado por quatro homens armados na esquina da José Bonifácio com Conselheiro. É justamente uma das esquinas sem carrinhos de playmobil - pois eles geralmente ficam na José Bonifácio com Mundurucus e, dois quarteirões adiante, na esquina na José Bonifácio com Gentil. Após ser parado e jogado no banco de trás do veículo, Vinicius foi seguidamente agredido com socos e palavrões até que os assaltantes resolveram colocá-lo na mala do carro, perto da Duque de Caxias. Para quem não conhece a vítima, e eu a conheço, se trata de um homem alto e forte que, obviamente, não coube de forma satisfatória no local que lhe era destinado. Por conta disso, do seu não cabimento, levou mais socos e foi obrigado a se arranjar no espaço apertado que lhe impunham. Depois de algum tempo, já livre das agressões, Vinicius percebeu que ainda estava com o celular num dos bolsos esquecidos da calça. Prontamente, entre arranjos e esticadas, conseguiu pegar o aparelho e ligou para quem poderia ajudá-lo - pelo menos era isso que ele achava - o serviço de emergência 190 das polícias Civil e Militar.
Não demorou para ser atendido e foi logo explicando, à pessoa que lhe atendia, o mal que sofria naquele exato momento. Disse ter sido rendido e agredido por homens armados, disse estar preso no porta-malas do carro e pediu que lhe ajudassem. A atendente, diante do desespero da vítima, se limitou a perguntar se ele poderia informar sua localização exata, sendo obvio que a resposta foi negativa. E diante disso, diante do homem que estava em risco e pedia ajuda, diante do homem que teve sorte de não ser executado por ladrões raivosos por um nada, diante disso tudo a atendente do serviço de emergência 190 se limitou a informar que não poderia ajudar e, em seguida, desligou o telefone sem perguntar mais nada, marca  ou placa do veículo, sem perguntar  mesmo o nome de quem ligava e mesmo sem dizer um "até logo, senhor. Boa sorte". Nada...

Eu poderia terminar o relato aqui, neste ponto, sem escrever mais diante da inexistência de palavras que possam descrever o absurdo que representa a situação acima.

Mas não poderia deixar de informar que Vinicius está bem, que depois de uma hora de pavor e receios foi largado trancado no carro, quase no final da Doca de Souza Franco. Foi libertado por um bom samaritano que, tendo observado a movimentação de longe, acabou por descobri-lo trancado e prestou auxílio que podia. 
No dia seguinte ele procurou a polícia e registrou ocorrência. Agora, passado o susto, aguarda a devida movimentação do caso.

E de tudo isso eu pergunto: como pôde um funcionário público ligado à área de segurança pública, respondendo por um sistema de emergência que, em regra, de forma absoluta, deveria prestar auxílio ao cidadão - qualquer auxílio que fosse - desligar na cara de uma pessoa em perigo que, justamente, lhe procurava como tábua derradeira de salvação? Como? 
São coisas que só acontecem em Belém, que só acontecem no Pará, os policiais que fizeram juramento de dar sua vida pelo cidadão agindo como crápulas.
E como explicar que tal coisa aconteça numa cidade hiperpoliciada, carrinhos playmobil em quase cada esquina, policiais que recebem, por dia, somente cinco litros de gasolina e que ficam impossibilitados de realizar grandes deslocamentos?

Por sorte Vinicius está bem. Por sorte, não morreu ou levou um tiro, a família que pode festejar a renascença nesta cidade de morte escondida a cada esquina. Porém, por azar, estamos entregues a tais situações, buscar socorro e, diante de uma incapacidade causada pela situação de risco, levar um telefone na cara.
Karina Pombo, que me mandou o relato absurdo por e-mail, faz algumas sugestões:
1. Comprar um GPS, ou celular com tal função, e torcer que os bandidos não o vejam quando do assalto;
2. Caso não tenha como comprar os itens acima, buscar decorar as ruas de Belém e de Ananindeua ao ponto de saber que, do local do assalto, uma para esquerda e duas para a direita, você estará numa determinada rua;
3. Se nenhuma das opções acima der certo reze - mas reze muito - para que o atendente da polícia que estiver de plantão na hora em que você precisar esteja com vontade de trabalhar e possa, se não lhe localizar, ao menos dispensar um minuto em simples e humana atenção.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Agora a coisa anda: Brasil em Tuvalu = paz mundial



FUNAFUTI (foto acima) é a capital oficial de TUVALU, um grupo de nove atóis coralinos na Polinésia, Oceano Pacífico, 4.000km ao nordeste da Austrália. Seu ponto mais alto é 5 m acima do nível do mar. Trata-se de uma monarquia constitucional que faz parte da Commonwealth, ou seja, S.M. Elizabeth II é a chefe de Estado, tem um Governador Geral, mas quem manda mesmo é o primeiro ministro escolhido pelo Parlamento composto de 15 membros. A população de Tuvalu (os tuvaluanos) atingiu em 2009 a espantosa cifra de 12.273 habitantes, um pouco menor que Restinga Seca/RS, quase todos descendentes de samoanos. Os missionários ingleses acabaram com a religião local, e hoje 87% da população é protestante, 6% não tem religião, e 0,6% são ateus. Já é um começo. A economia de Tuvalu (PIB 14,8 milhões de dólares) é baseada na exportação de COPRA (fibra do coco seco) e PANDARA ou PANDANO (espécie de palmeira de folhas e frutos comestíveis). Aquele país vendeu seu domínio na Internet (tv) para uma empresa americana, por 50 milhões de dólares pagáveis em 12 anos, o que elevou em 50% seu PIB! Outra fonte de renda é a venda de sua bandeira para navios estrangeiros. Não existe estação de TV em Tuvalu (eles são felizes e não sabem). Há somente um jornal impresso que circula de 15 em 15 dias, cuja tiragem é de 500 exemplares. Mas por que estou falando de Tuvalu para vocês? É que a diplomacia do nosso Grande Líder Lula criou uma embaixada em Tuvalu, mais especificamente na capital Funafuti, por meio do Decreto 7.197 de 02 de junho de 2010.
Resta a pergunta: o que diabos se pretende, nesta política externa maluca, com o estabelecimento de uma Embaixada brasileira em Tuvalu? Ou o Brasil quer fazer como o Banco Bradesco, presente em todos os municípios brasileiros? Mas não há de ser nada... Os muitos brasileiros que visitam Tuvalu todos os anos - e se vocês conhecerem um, me apresentem - ficarão felizes com a presença Tupiniquim naquelas paragens.

Dica do Carlos Sampaio e da Regina Maneschy.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Direto de Portugal II

Da minha correspondente em Portugal, Maria Regina Maneschy:

Os garçons e funcionários do Café A Brasileira, do Chiado, o café onde Fernando Pessoa está permanentemente sentado em sua estátua de bronze, protestando contra os maltratos e baixos salários, na manifestação de hoje da Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).


E se fosse aqui no Brasil certamente seriam fregueses da Justiça do Trabalho no dia seguinte.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Direto de Portugal

Direto de Portugal, onde termina seu Doutorado em Educação pela Universidade de Lisboa, Maria Regina Maneschy manda o interessante relato sobre a Copa, exclusivo para o Domisteco:

Lisboa, 29 de junho de 2010

Navegar é preciso.

Lisboa é uma bela cidade, tranqüila, cordial, apesar da crise. Em algumas coisas, em alguns momentos, em alguns lugares lembra Belém da minha juventude, aqui podemos sair a rua sem ter a certeza de que seremos o próximo seqüestrado.

Porém, agora, Lisboa está mais sossegada do que comumente. É que Portugal enfrenta a Espanha pela copa do mundo de futebol. E só para mostrar o clima com que uma parte dos portugueses vêem esta disputa é ler o editorial do jornal “Destak”, de distribuição gratuita, que encontro sempre à entrada do metro, a começar pelo título, “Preparados para a nova Aljubarrota”.

A editorialista, Isabel Stillwell, começa dizendo que a história se repete e de que hoje, 29 de Junho, os portugueses irão repetir, 625 anos depois, a batalha de Aljubarrota.

Para os mais esquecidos ou desatentos nas aulas de História, Isabel relembra os dados do fato histórico, a importância de construir talvez um novo mosteiro da Batalha, apela a São Jorge, padroeiro de Portugal, e a Santa Maria, repetindo como diz, “um relato empolgado da época”: “os castelhanos pouco puderam fazer mais senão morrer”.

Com certeza é importante reproduzir a articulista para relembrar os fatos de Aljubarrota e, pela comparação, a importância que alguns dão ao jogo. “Recuando no tempo a 14 de Agosto de 1385, pelas sete da tarde (não estou a brincar, foi mesmo), os 31 mil homens do rei Juan I de Castela, que se julgava com direito ao trono português por casamento com D. Beatriz, foram derrotados por um exército de apenas 6500 homens, comandados por D. Nuno Álvares Pereira e D. João I, rei há pouco mais de três meses. Fomos corajosos, determinados e usámos a Técnica do Quadrado, que apanhou de surpresa os soldados do inimigo, levando a que quatro mil ficassem logo ali caídos em batalha e cinco mil fossem feitos prisioneiros”.

Como se vê, lê e se sabe, o futebol não é tão importante assim, não precisamos apelar a São Jorge nem à padroeira de Aljubarrota.

Agora, tudo continua tranqüilo, Portugal perdeu o jogo, porém continua o mesmo Portugal, um povo corajoso e sábio, capaz de, novamente, por mares nunca dantes navegados, construir um novo reino, talvez como se pensou possível no 25 de abril. Hoje, já se faz necessário talvez outro Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, o São Nuno de Santa Maria, ou simplesmente Nun'Álvares, o símbolo do povo português, para enfrentar esta crise e preparar as naus para navegar para este outro reino.

É bom que no Brasil também pensássemos em preparar nossas naus, como diz o poeta, navegar é preciso.

Regina Maneschy

domingo, 6 de junho de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A advogada

Um médico saiu para caminhar e viu a velhinha da foto sentada em um banco, fumando um cigarrinho. O médico se aproximou e perguntou:
"A senhora me parece tão feliz... Qual o segredo de tanta felicidade?"
Ela respondeu:
"Veja bem! Sou advogada, durmo às 2 da manhã redigindo peças e me levanto às 6 da manhã. Nos fins de semana não pratico nenhuma atividade física, nem me divirto. Faço Madados de Segurança, Ações Trabalhistas, Pedidos de Liberdade Provisória e 'Habeas Corpus', todo final de semana, sábado e domingo, feriados também. Não tomo café da manhã, não almoço e nem janto direito, por total falta de tempo."
O médico então exclamou:
"Mas isso é extraordinário. Quantos anos a senhora tem?"
"32" - lhe respondeu a velhinha!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Como as mulheres imaginam o futebol

Love na Vila
Ronaldo assina com os Rangers
Pato na mira do Arsenal
Palmeiras atrás de Ronaldinho
Boca quer Dentinho
Riquelme no Cruzeiro

Dica do Adriano Diniz