domingo, 6 de outubro de 2013
Letícia
Letícia acorda. Letícia chora. Letícia mama e faz manha.
Vamos trocar fralda. Foi tanto xixi que vazou e molhou fralda, pijama e pai. No trocador, Letícia ri do pai que se desdobra pega fralda pijama algodão água, tudo enquanto segura a filha que ri. Troca fralda, troca pijama, não troca pai, que se for procurar pijama agora acorda filha e pai se acostumou a dormir com xixi de filha que nem fede a xixi.
Depois, remédio e rede, e mais riso de filha que parece se divertir com pai na correria, e rede e música, voz fraca para não despertar a pequena, e rede embala embala embala e filha parece gemer gemido no ritmo da rede e da voz do pai.
Então dorme. Levanta o pai da rede fazendo forçona, porque a pequena já pesa muito, coloca no berço, cobre, cobre melhor, mais um pouco melhor e coloca mosqueteiro. Então filha se vira e se descobre, e pai tira mosqueteiro e faz tudo novamente, e bota mosqueteiro, e então pai deita para dormir, mas aí já pensou na vida e perdeu o sono.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Vacinação
Algumas pessoas me criticaram por tal decisão, usando um tom meio que de nojo e admiração por "colocar" minha filha em um posto de saúde pública: se tinha "condições", por que submeter minha filha àquilo? Um absurdo!
Absurdo, para mim, é pagar uma pequena fortuna por vacinas que são dadas de graça em qualquer posto público. E desde quando ter "condições" significa não usufruir do que tenho direito. Eu também pago por aquilo quando pago meus impostos. Como assim?
Pois bem, algumas observações sobre o Posto de Saúde do Guamá, mais especificamente do setor de vacinas:
1. As atendentes da vacina são extremamente carinhosas e atenciosas com todos, sempre prontas a tirar dúvidas e a ajudar. E como são sempre as mesmas, acabam conhecendo as crianças e seus pais, o que torna o clima bem menos tenso. A Brenda Carepa já cansou de sentar com elas e fazer mil perguntas, assim como diversas outras mães fazem - todas sempre bem recebidas.
2. Algumas vezes não pegamos fila. Outras vezes estão uma ou duas pessoas na nossa frente. Uma vez somente, uma única vez, fomos em dia de campanha de vacinação e esperamos quase 30 minutos. Tirando isso, tudo corre rápido e tranquilo lá.
3. Certa vez, um famoso político apareceu lá para tomar vacinas. Ia para a África e precisava delas para viajar. Este famoso político estava acompanhado da Diretora do Posto e, como qualquer cidadão, e não poderia ser diferente, esperou pacientemente na fila sua vez sem qualquer benefício ou favor. Umas duas crianças depois da gente ele foi atendido.
Do mais, não posso dizer. Do que sei, digo. A gente tanto critíca e não custa elogiar
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O resultado
- Filha... Acho que a gente nunca vai ter essa resposta.
- Mas esse colégio não tinha segurança? Como ele entrou com as armas?
- Ele enganou a segurança, disse que ia dar uma palestra e entrou.
(silêncio)
- E isso não pode acontecer aqui, pai?
- Não, filha! Nunca! Nunca aconteceu e nem vai mais acontecer.
- Você tem certeza, papai?
- Tenho, filha. Tenho certeza.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Fazer filhos dormir III
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Paris 11 - Finalmente, Disney
Para quem não sabe, a EuroDisney fica pertinho de Paris, cerca de 30 minutos no RER, espécie de trem urbano que liga a capital francesa à suas diversas cidades dormitório. O RER compartilha diversas estações com o metro de Paris, então é bem fácil encontrar uma conexão pertinho de você. O nosso passe de metro só dava direito a viagens ilimitadas entre as zonas 1 e 2, as mais centrais (englobam toda a cidade e mais um pouco). Como a Disney fica em Marne-la-Vallee, zona 6, foi preciso comprar uma passagem extra, sentar e esperar chegar a última estação para descer praticamente dentro dos Parques. A dica que dou: descubra qual dois dois fecha mais cedo e comece por esse. Na segunda, por exemplo, o Walt Disney Studio fechava uma hora mais cedo do que o Parque Disney. O ideal é comprar o passaporte para dois dias (como fizemos) ou marcar sua visita para um dia da semana. Nosso primeiro dia, domingão francês com temperaturas quase sempre negativas, foi cheio de filas torturantes e multidões em todos os cantos. Já na segunda, também com temperaturas baixíssimas, quase não pegamos filas e conseguimos fazer todos os brinquedos.
Mas deixando um pouco de lado as dicas sobre como chegar, o que fazer, onde comer, vamos falar da Maria. A Disney é um mundo encantado mesmo os adultos mais céticos. Impossível não se desestressar e sentir coisas boas em um local que foi construído especialmente para isso. Faz muito queria mostrá-lo para Maria e por conta disso, nada mais natural do que a grande ansiedade com a qual ela vinha convivendo.
Logo na entrada, depois da bilheteria, tive que lutar para tirar Maria da primeira lojinha. Eu, com o ar de "pai que não se interessa por aquilo", dizia a ela que lá dentro tinham várias outras lojas com muitas outras coisas. Mas acabei, eu também, me deixando ficar um pouquinho e curtir cada coisa bonita que tinha ali. Depois foi o Castelo da Princesa (até agora não sei de qual), lindo e imponente no meio do Parque. Muito bacana poder curtir esse momento com minha filha, estar ao lado dela e descobrir cada sentimento, cada sensação e frustração (sim, também há frustração em um parque da Disney). Depois da Space Mountain, por exemplo, Maria saiu fascinada e disse logo que aquele era o melhor brinquedo que ela já tinha visto. Logo depois, na Casa Fantasma, vi a frustração: "Égua, papai! E eu estava com medo disso?!". Outra coisa legal deste primeiro dia é que estávamos em um grupo grande - o que significou muito para Maria, cansada da velha cara do pai, dia após dia. Foi bom passar o tempo nas filas brincando com a tia Eulália Toscano (haja bundada), ou dançando com a tia Luanda para passar o frio.
O final da brincadeira, perto das oito da noite, foi Maria dormindo no meu colo até chegar em Paris, cansado como nunca a vi, mas sempre com um sorriso no rosto.
P.s.1: como disse antes, no dia seguinte fomos somente nós. Acordamos mais tarde pois fiquei com medo de uma gripe (Maria cansada + temperatura negativa = evitar). Deixei a menina dormir até dez da manhã e chegamos no Parque somente ao meio dia. Mesmo trajeto feito, agora sem o suspense do dia anterior, mas um dia igualmente curtido, brincado e bem aproveitado. E por ser o último dia, fizemos diversas comprinhas - mil presentes de pirata para o Carlos Henrique, filhote amado e saudoso, e lembranças para os primos/sobrinhos Júlio, Mateus e Ana Luiza.
P.s.2: Os parques têm brinquedos para todos os gostos. Nós preferimos o mais radicais - montanha russas e simuladores de vôo. Mas também curtimos alguns brinquedos dos menores, como o Mundo dos Pequeninos e o Buzz Lightyear Laser Blast (tiro ao alvo). Então recomendo: cheguem cedo e aproveitem os dias de semana - sem filas fica mais fácil brincar em tudo e ver do que se gosta ou não.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Paris 10 - Paris para crianças
Paris 9 - Papai tá dodoi
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Paris 8 - Perfeição
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Paris 5 - Maticota curte
domingo, 8 de agosto de 2010
Dia dos pais
Carlos acordo como se procurasse algo e olhou ao redor de forma insistente. Diante da atitude pouco usual, sua mãe perguntou:
- Filho, o que foi?
- Mamãe, cade papai?
- Filho... papai está em Belém, você sabe disso.
- Não, mamãe. Papai tá lá em baixo. Eu vi.
- Não, filho... Papai está em Belém. Você deve ter sonhado com ele.
Carlos então se deita e coloca o travesseiro sobre a face.
- Filho... o que foi?
- Mamãe... apaga a luz que papai volta.
Relato que me foi feito pela mãe do Carlos, 02 anos e meio.
Sim. Eu tive um maravilhoso dia dos pais.
sábado, 7 de agosto de 2010
Maria e seu blog
segunda-feira, 12 de julho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
O assalto e a menina
Papai. Estou traumatizada com o assalto de anteontem, morrendo de medo disso. Agora eu faço tudo em lugares "desestranhos". Ontem, quando vim pra casa com o tio rodrigo da mamãe, pedi pra entrar na garagem por causa do medinho de assalto relampago, sequestro. Desculpe por falar isso, sei que ainda está com medo de sair a noite ou algo assim. Mas quero desabafar meu medo de ontem. Eu chorei até ficar rouca de chorar. Quando você chegou, eu corri o mais rápido que eu podia. Te amo.
Beijos.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Palavra do Dia n.º 22
Dedicaçãos.f.Desprendimento de si próprio em favor de outrem ou de alguma idéia.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Auto-Entrevista 01
Auto entrevista marcada por forte carga emocional e lampejos psicodélicos provocados pelo sono e saudade devastadora (02h34min – 20 de janeiro de 2010).
- Então ela chega hoje?
- Sim, chega hoje, finalmente. Mas parece que tudo conspira contra, não é?
- É sim. E a grande conspiradora de hoje é a lei da Física que rege a chegada das filhas...
- Sim, conheço! Aquela lei que diz: quando um pai saudoso espera sua menininha, todos os vôos vem carregados de menininhas que correm e pulam igual à esperada, somente para confundir e dar lampejos de esperança a um pai cansado da ausência. Mas ao menos ela chegará!
- Sim, mas com um grande atraso. Acabo de falar com a mãe e soube que ainda estão em Brasília! Parece que houve uma forte tempestade em São Paulo e todo o sistema aéreo ficou congestionado. A mãe pediu até para verificares, não foi?
- Foi sim, mas não encontrei nada na internet. Vai ver é desculpa da empresa.
- E o que fazem? Dormem?
- Não, matam o tempo como podem. Maria, pelo que a mãe contou, joga no seu portátil e anda em círculos vendo vitrines e simulando compras. Sabes a que horas chegam?
- Chegam perto da seis da manhã. Voltei para casa, darei uma soneca e retornarei mais tarde.
- Ainda voltas ao aeroporto!?
- Sim, quero vê-la o quanto antes. A saudade aperta muito.
- Verdade, estou roxo de sentir falta dela.
- Bem, acho bom você dormir um pouco, nem que sejam alguns minutos.
- Verdade. Senão nem consegues acordar na hora marcada.
- Obrigado pela entrevista.
- De nada.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Palavra do Dia n.º 21
Saudades.f.Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que nos vemos privados. Pesar, mágoa que essa privação nos causa. Lembranças; recordações; cumprimentos.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Maria e o pássaro
E Carlos que não chega, e sono que não vem, e casa que não fica pronta!? Vou dormir.
P.S.: Hoje de manhã Maria me ligou para avisar sobre o falecimento do filhote de Sabiá. Muito triste, me avisou que o enterro será logo mais, no pequeno bosque do residencial Lago Azul. Em 04/12/2009.
domingo, 22 de novembro de 2009
Eu e Maria
Trecho de reportagem de hoje, domingo, no Amazônia Jornal (Pai e filhos em um laço forte)!'Ela me ajuda a escolher as minhas roupas'
'O pai pode, sim, ensinar coisas que a mãe não consegue. E não se trata de incapacidade da mãe, mas sim de experiências vividas pelo pai, pelo homem', afirma o advogado paraense Fernando Gurjão Sampaio, 31, que sempre esteve presente na vida da filha Maria Fernanda, 8, desde sua gestação. Cumplicidade, amizade e companheirismo marcam o relacionamento de pai e filha. 'Ela me ajuda a escolher as roupas na hora de sair, conversamos sobre o colégio, os colegas, os professores. Somos bem sinceros e temos uma série de planos juntos, coisas que pretendemos realizar.'
Maria Fernanda mora com a mãe, mas durante a semana Fernando procura oportunidades para estar com a filha. 'Sempre que posso, durante a semana, tento pegá-la no inglês ou levar sushi para o jantar dela. Juntos brincamos, vamos ao cinema ou pegamos um DVD para assistir. Uma criança surge de um pai e de uma mãe; então a falta de um deles deveria ser algo impensável, um fator que deixaria lacuna na vida da criança. 'Com a relação de amizade Fernando espera que a filha encontre nele alguém em que possa confiar e que divida novas experiências. 'Sempre fui contra os pais que brigam com os filhos por coisas que são naturais. Prefiro que ela me conte, tendo certeza não de uma bronca feia, mas de um conselho, de uma atitude de amigo, que a ajude.'
As fotos são do amigo e grande colaborador, Wagner Mello.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Fazer filhos dormir I
Era sempre a mesma coisa, toda noite: na rede do nosso quarto, mamãe no meio com um filho de cada lado, pequenos ainda, as pernas e braços passando por cima do corpo dela como se para ficar mais perto.
Na cadência do rangido da rede ela encaixava o ritmo da musica e tudo acabava virando um som só. Engraçado que o ranger da rede pode ser um barulho insuportável para alguns, sempre com vidrinhos de Óleo de Máquinas Singer nas mãos. Já para mim, rede sem rangido, daqueles baixinhos, quase um gemido, acaba sendo um pouco menos bacana.
Mas voltando aos embalos, cada filho com seu latifúndio, as musicas iam se repetindo num repertório que até hoje é todo ela. Tínhamos nossas canções preferidas, aquelas que calávamos para ouvir com mais atenção; tínhamos também aquelas que preferíamos cantar junto, bem alto. Tinha uma que nos metia medo - e ela cantava somente para ver nossa cara de espanto e rir depois. E tinha umas que não entendíamos, pois eram cantadas em outras línguas - e eu achava mamãe muito inteligente por saber tanta coisa difícil.
Geralmente meu irmão dormia rápido. Eu não! Lutava contra o sono com todas as minhas forças - o que acabava colocando mamãe em uma situação ruim. Quanto mais eu demorava para dormir, mais as musicas ficavam desconhecidas, até que, depois de algum tempo, acabavam virando somente os gemidos de algo que devia ser uma música, mas ela não lembrava a letra.
Fazer filhos dormir II
E no escuro nos embalamos na rede, eu no meio, Carlos e Maria, cada qual num lado. Os dois fazem travesseiros dos meus braços e se olham apaixonados. Ele, pequeno, pega no cabelo da irmã. Ela, já quase grande, me olha com o rabo do olho, cheia de orgulho.
A rede geme e eu gosto. Acho que eles gostam também pois não reclamam. Mas meu pai não gosta e entra no quarto sem falar nada, com um vidro de Óleo de Máquinas Singer nas mãos, e cala a rede. E não consigo mais juntar o compasso do que canto com a cadência da embalada.
Hoje os dois resolveram lutar contra o sono. Ele fala todo o seu pequeno vocabulário de umas vinte e tantas palavras antes de dormir; ela me corrige quando troco os versos das músicas, até que se irrita e resolve cantar no meu lugar.
Por fim, dormem. Eu já estava nas músicas tiradas do fundo da memória, quase chegando aos gemidos de músicas que não lembro a letra. E no balanço já sem força da rede, com meus filhos deitados no meu peito, as pernas por cima de mim como se para me agarrar mais, lembro da minha infância e sinto vontade de chorar. A felicidade de ter tido quem me embalasse em uma rede; de ter tido quem me fizesse dormir ensinando músicas bonitas; de ter tido quem me permitisse olhar apaixonado meu irmão mais novo.
Por tudo isso sinto vontade de chorar, mas não choro! Afinal, foi um trabalhão fazer dormir esses dois e não quero que eles acordem!
(Belém, 03/10/2009)


