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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Onde as crianças dormem

James Mollison viajou ao redor do mundo e decidiu criar uma série de fotografias mostrando os quartos infantis por onde passava. As fotografias foram depois compiladas em um livro intitulado Onde as crianças dormem. Cada par de fotografias é acompanhada por uma legenda estendida que conta a história da criança. As diferenças entre um e outro espaço do sono é impressionante.
Mollison nasceu no Quênia em 1973 e cresceu na Inglaterra. Depois de estudar arte e design na Universidade de Oxford Brookes, e cinema e fotografia em Newport School of Art and Design, ele se mudou para a Itália para trabalhar no laboratório criativo da fábrica da Benetton.
O projeto tornou-se uma referência de pensamento crítico sobre a pobreza e a riqueza, sobre a relação das crianças com as suas posses -ou a falta delas-. O fotógrafo espera que seu trabalho ajude outras crianças a pensar sobre a desigualdade no mundo, para que, talvez, no futuro pensem como agir para diminuir esta diferença.
Lamine, 12 anos, vive no Senegal. As camas são básicas, apoiadas por alguns tijolos. Aos seis anos, todas as manhãs, os meninos começam a trabalhar na fazenda-escola onde aprendem a escavação, a colheita do milho e lavrar os campos com burros. Na parte da tarde, eles estudam o Alcorão. Em seu tempo livre, Lamine gosta de jogar futebol com seus amigos.
Tzvika, nove anos, vive em um bloco de apartamentos em Beitar Illit, um assentamento israelense na Cisjordânia. É um condomínio fechado de 36.000 Haredi. Televisões e jornais são proibidos de assentamento. A família média tem nove filhos, mas Tzvika tem apenas uma irmã e dois irmãos, com quem divide seu quarto. Ele é levado de carro para a escola onde o esporte é banido do currículo. Tzvika vai à biblioteca todos os dias e gosta de ler as escrituras sagradas. Ele também gosta de brincar com jogos religiosos em seu computador. Ele quer se tornar um rabino, e sua comida favorita é bife e batatas fritas.
Jamie, nove anos, vive com seus pais e irmão gêmeo e sua irmã em um apartamento na quinta Avenida em Nova Iorque. Jamie frequenta uma escola de prestígio e é um bom aluno. Em seu tempo livre, ele faz aulas de judô e natação. Quando crescer, quer se tornar um advogado como seu pai.
Indira, sete anos, vive com seus pais, irmão e irmã, perto de Kathmandu, no Nepal. Sua casa tem apenas um quarto, com uma cama e um colchão. Na hora de dormir, as crianças compartilham o colchão no chão. Indira trabalha na pedreira de granito local desde os três anos. A família é muito pobre para que todos tenham que trabalhar. Há 150 crianças que trabalham na pedreira. Indira trabalha seis horas por dia além de ajudar a mãe nos afazeres domésticos. Ela também freqüenta a escola, a 30 minutos a pé. Sua comida preferida é macarrão. Ela gostaria de ser bailarina quando crescer.
Kaya, quatro anos, mora com os pais em um pequeno apartamento em Tóquio, Japão. Seu quarto é forrado do chão ao teto com roupas e bonecas. A mãe de Kaya faz todos os seus vestidos e gostos -Kaya tem 30 vestidos e casacos, 30 pares de sapatos, perucas e um sem contar de brinquedos. Quando vai à escola fica chateada por ter que usar uniforme escolar. Suas comidas favoritas são a carne, batata, morango e pêssego. Ela quer ser cartunista quando crescer.
Douha, 10, mora com os pais e 11 irmãos em um campo de refugiados palestinos em Hebron, na Cisjordânia. Ela divide um quarto com outras cinco irmãs. Douha freqüenta uma escola, a 10 minutos a pé, e quer ser pediatra. Seu irmão, Mohammed, matou 23 civis em um ataque suicida contra os israelenses em 1996. Posteriormente, os militares israelenses destruíram a casa da família. Douha tem um cartaz de Maomé em sua parede.
Jasmine (Jazzy), quatro anos, vive em uma grande casa no Kentucky, EUA, com seus pais e três irmãos. Sua casa é na zona rural, rodeada por campos agrícolas. Seu quarto é cheio de coroas e faixas que ela ganhou em concursos de beleza. A garota já participou de mais de 100 competições. Seu tempo livre é todo ocupado com os ensaios. Jazzy gostaria de ser uma estrela do rock quando crescer.
A casa para este garoto e sua família é um colchão em um campo nos arredores de Roma, Itália. A família veio da Romênia de ônibus, depois de pedir dinheiro para pagar as passagens. Quando chegaram em Roma, acamparam em terras particulares, mas foram expulsos pela polícia. Eles não têm documentos de identidade, de forma que não conseguem um trabalho legal. Os pais do garoto limpam pára-brisas de carros nos semáforos. Ninguém de sua família foi um dia para a escola.
Dong, nove anos, vive na província de Yunnan, no sudoeste da China, com seus pais, irmã e avó. Ele divide um quarto com a irmã e os pais. A família tem uma propriedade que permite cultivar quantidade suficiente de seu próprio arroz e cana de açúcar. A escola de Dong fica a 20 minutos a pé. Ele gosta de escrever e cantar. Na maioria das noites, ele passa uma hora fazendo o seu dever de casa e uma hora assistindo televisão. Dong gostaria de ser policial.
Roathy, oito anos, vive nos arredores de Phnom Penh, Camboja. Sua casa fica em um depósito de lixo enorme. O colchão de Roathy é feito de pneus velhos. Cinco mil pessoas vivem e trabalham ali. Desde os seis anos, todas as manhãs, Roathy e centenas de outras crianças recebem um banho em um centro de caridade local, antes de começar a trabalhar, lutando por latas e garrafas de plástico, que são vendidos para uma empresa de reciclagem. Um pequeno lanche é muitas vezes a única refeição do dia.
Thais, 11, mora com os pais e a irmã no terceiro andar de um bloco de apartamentos no Rio de Janeiro, Brasil. Ela divide um quarto com a irmã. Vivem nas vizinhanças da Cidade de Deus, que costumava ser conhecida por sua rivalidade de gangues e uso de drogas. Thais é fã de Felipe Dylon, um cantor pop, e tem pôsteres dele em sua parede. Ela gostaria de ser modelo.
Nantio, 15, é membro da tribo Rendille no norte do Quênia. Ela tem dois irmãos e duas irmãs. Sua casa é uma pequena barraca feita de plástico. Há um fogo no centro, em torno do qual a família dorme. As tarefas de Nantio incluem cuidar de caprinos, cortar lenha e carregar água. Ela foi até a escola da aldeia por alguns anos, mas decidiu não continuar. Nantio está esperando o seu moran (guerreiro) para casar. Ela só tem um namorado no momento, mas não é incomum para uma mulher Rendille ter vários namorados antes do casamento.
Joey, 11, mora em Kentucky, EUA, com seus pais e irmã mais velha. Ele acompanha regularmente o seu pai em caçadas. Ele é dono de duas espingardas e uma besta, e fez sua primeira vítima -um cervo- quando tinha sete anos. Ele está esperando para usar sua besta durante a temporada de caça seguinte. Ele ama a vida ao ar livre e espera poder continuar a caçar na idade adulta. Sua família sempre come carne de caça. Joey não concorda que um animal deve ser morto só por esporte. Quando não está caçando, Joey freqüenta a escola e gosta de ver televisão com o seu lagarto de estimação, Lily.

Dica do Carlos Sampaio e da Regina Manescky. Aqui também tem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

França Profunda


Sabrina tinha 23 anos quando seus pais resolveram usá-la como parte do pagamento por um carro usado. Ela foi estimada em 750 euros (cerca de dois mil reais) e assim a negociação foi concluída. Isso tudo no ano de 2003, na região de Seine-et-Marne, área central da França, em um acampamento miserável de trailers.
O casal Franck Franoux e Florence Carrasco, que aceitou Sabrina como pagamento, passou a utilizá-la para os mais variados fins: como escrava doméstica, Sabrina cuidava da casa e dos sete filhos de seus donos; como escrava sexual, ela servia às vontades dos dois e, eventualmente, era obrigada a se prostituir. Geralmente ela dormia ao relento, mesmo no rigoroso inverno francês, e se alimentava somente com as sobras da família. Por diversas vezes ela foi estuprada e torturada.
O calvário de Sabrina, que revela uma face quase esquecida de certos problemas, os crimes sexuais que parecem existir somente na cruel realidade de países subdesenvolvidos, durou de 2003 até final de 2006 – quando a mulher, gravemente doente, passou a representar um estorvo para seus donos.
Pesando pouco mais de 34 quilos, Sabrina foi largada diante de um hospital de Paris. Ela não tinha mais nenhum dente e seus cabelos estavam raspados. Orelhas e nariz, mutilados durante anos seguidos, foram reconstruídos após diversas cirurgias. Pelo corpo, além de hematomas e cicatrizes, inúmeras queimaduras decorrentes de tortura.
Após a descoberta da desgraça que ocorria em uma região próxima à elegante capital francesa, 14 pessoas foram presas e serão julgadas – dentre elas, os pais que venderam a filha. Se forem considerados culpados, os acusados poderão ser condenados a penas que variam entre dois e 15 anos de prisão (o julgamento está previsto para terminar em 17 de dezembro de 2010).
Enquanto isso Sabrina, hoje com 30 anos, busca ter uma vida normal – mesmo que a convivência com o pesadelo seja ainda muito próxima: “Em algumas noites eu tenho lembranças. Eu não durmo”, afirmou ela ao jornal Le Parisien.
Realmente, deve ser difícil dormir com tanto barulho a atormentar a vida, as marcas na alma que conseguem ser piores do que as marcas no corpo.
As informações são da BBC Brasil e da Elle francesa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cães?

Na cidade de Eureka, no Estado de Montana, EUA, um gato fugia de cães que queriam lhe trucidar quando resolveu se esconder no motor de um carro estacionado. E como os cães queriam muito trucidar o gato, vejam bem o que fizeram com o carro.
Carros de plástico: aposto fazer isso com um Fusca.
O dono do carro, coitado, quando viu o estado do seu veículo no dia seguinte, chegou a pensar num ataque de Pumas selvagens. Os cães, presumem os moradores do local, eram dois rottweilers, mas tal fato não foi comprovado. Já o gato, pobrezinho, refeito do susto passa bem.
Noticia: G1

sábado, 11 de setembro de 2010

11/9

Minha mãe sempre diz que todos lembram o que faziam quando souberam da morte do Kennedy. Meu pai Netuno, por exemplo, lembra que estava cortado os cabelos.
No dia 11/9 eu estava no carro com minha mãe Amarilis, cruzando a Cidade Velha, tentando chegar ao forum para mais um dia de estágio. No carro nós ouvíamos alguma rádio que informou, primeiramente, que um avião de pequeno porte havia se chocado com as Torres. 
Assustados, ainda ficamos esperando por novas notícias que não vieram naquele momento. Ela partiu e eu subi para o trabalho. Somente depois, já no cartório, foram chegando os boatos assustadores e inacreditáveis de que o mundo havia mudado. Imediatamente eu desci, fugido, e me sentei na lanchonete do prédio para assistir às notícias absurdas que a tevê mostrava. 
Lembro exatamente de cada passo meu naquele dia. Da mesma forma que pessoas mais velhas devem lembrar do seu dia em que Kennedy morreu.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Agora a coisa anda: Brasil em Tuvalu = paz mundial



FUNAFUTI (foto acima) é a capital oficial de TUVALU, um grupo de nove atóis coralinos na Polinésia, Oceano Pacífico, 4.000km ao nordeste da Austrália. Seu ponto mais alto é 5 m acima do nível do mar. Trata-se de uma monarquia constitucional que faz parte da Commonwealth, ou seja, S.M. Elizabeth II é a chefe de Estado, tem um Governador Geral, mas quem manda mesmo é o primeiro ministro escolhido pelo Parlamento composto de 15 membros. A população de Tuvalu (os tuvaluanos) atingiu em 2009 a espantosa cifra de 12.273 habitantes, um pouco menor que Restinga Seca/RS, quase todos descendentes de samoanos. Os missionários ingleses acabaram com a religião local, e hoje 87% da população é protestante, 6% não tem religião, e 0,6% são ateus. Já é um começo. A economia de Tuvalu (PIB 14,8 milhões de dólares) é baseada na exportação de COPRA (fibra do coco seco) e PANDARA ou PANDANO (espécie de palmeira de folhas e frutos comestíveis). Aquele país vendeu seu domínio na Internet (tv) para uma empresa americana, por 50 milhões de dólares pagáveis em 12 anos, o que elevou em 50% seu PIB! Outra fonte de renda é a venda de sua bandeira para navios estrangeiros. Não existe estação de TV em Tuvalu (eles são felizes e não sabem). Há somente um jornal impresso que circula de 15 em 15 dias, cuja tiragem é de 500 exemplares. Mas por que estou falando de Tuvalu para vocês? É que a diplomacia do nosso Grande Líder Lula criou uma embaixada em Tuvalu, mais especificamente na capital Funafuti, por meio do Decreto 7.197 de 02 de junho de 2010.
Resta a pergunta: o que diabos se pretende, nesta política externa maluca, com o estabelecimento de uma Embaixada brasileira em Tuvalu? Ou o Brasil quer fazer como o Banco Bradesco, presente em todos os municípios brasileiros? Mas não há de ser nada... Os muitos brasileiros que visitam Tuvalu todos os anos - e se vocês conhecerem um, me apresentem - ficarão felizes com a presença Tupiniquim naquelas paragens.

Dica do Carlos Sampaio e da Regina Maneschy.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Calor na Rússia

Os moscovitas morrem como moscas no calor brutal que assola a Rússia. A piorar, há ainda fumaça de incêndios florestais a tornar o ar da cidade irrespirável. Segundo o chefe do Departamento de Saúde municipal, Andrei Seltsovsky (com informações do UOL), nesta segunda-feira as mortes quase duplicaram a 700 por dia, com o calor sendo o principal motivo. Os russos, tão acostumados a temperaturas sempre próximas de zero, ficam sem defesa diante dessas variações incomuns. Os necrotérios russos estão lotados e os corpos estão se amontoando em qualquer lugar refrigerado. E nem há mais vagas em hospitais e funerárias. Como sempre, os que mais sofrem são os idosos e as crianças. E cada povo segue com seu sofrimento. Sorte aos russos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Autodeterminação dos Povos e o Irã



Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres - Voltaire

Não concordo com a pena de morte e, muito menos, não concordo que se mate uma pessoa por ter cometido adultério.
Porém, defendo o Princípio da Autodeterminação dos Povos, regra que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, tomar suas escolhas sem intervenção externa, e de escolher como será legitimado o direito interno sem influência de qualquer outro Estado.
Ou seja: mesmo não concordando que se mate uma mulher por simples traição conjugal, ou que não concorde com a pena de morte, defendo o direito do povo iraniano de fazê-lo.
Ao que me parece, o problema não é a execução pelo crime de adultério, mas sim a execução em si.
Tanto é que no e-mail que me foi enviado pela Anistia Internacional, e que resultou neste post, há pedido de envio de apelo ao governo iraniano solicitando a comutação da pena por outra menos branda – inclusive enforcamento. A Anistia Internacional não pede, em momento algum, que seja enviado apelo requerendo perdão e conseqüente libertação da mulher.
O que devemos entender é o processo de criação do ordenamento jurídico de um país - e a importância da cultura nesse processo: no Brasil, mesmo havendo previsão na legislação penal criminalizando o jogo do bicho, muitos jogam e a maioria tolera. Isso é um traço cultural.
Da mesma forma, no Irã, a cultura determina o que é crime e como ele será punido. E não nos cabe tentar mudar isso, pois estaremos incorrendo em grave erro ao intervir na soberania de um Estado.
Lembram dos boatos e comentários sobre uma possível proposta de internacionalização da Floresta Amazônica? Lembram do receio geral de que tal fato pudesse prosperar, o que seria fatal para a soberania do Estado brasileiro? Pois bem... Lembrem também das alegações estrangeiras de que era um absurdo não cuidarmos da floresta, que permitíssemos sua gradual destruição em crime contra toda a humanidade – tudo justificativa para o que se pretendia fazer.
É mais ou menos o que acontece agora: o Presidente Lula que, em afronta à independência de um povo, em afronta às regras previstas no art. 4º da Constituição (a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: autodeterminação dos povos; não-intervenção), propõe asilo à condenada sem que o Irã tenha sido consultado, como se mandasse singela mensagem: vocês estão errados em sua decisão soberana!
E o que esperar de um governo que permitiu a histórica trapalhada em Honduras?
É mais ou menos como se o vizinho visse meu filho de castigo e, passando por cima da minha autoridade, resolvesse perdoá-lo, sem me consultar, por achar pouco o motivo da punição. Seria falta de respeito com as minhas regras e com a forma escolhida para gerir minha casa, coisa que não admito.
A pena de morte ainda é permitida em cerca de 58 países. Curiosamente, ela não é criticada com tanta intensidade quando praticada, por exemplo, nos EUA. Obviamente os crimes não se comparam e no norte das Américas ninguém é condenado por trair o marido.
Mas se for verdade minha conclusão acima, de que a discussão não é o crime em si, mas sim a pena de morte aplicada ao caso, qual a razão para que não se amplie tal discussão? Se o que se discute é a pena de morte – e lembrem que a Anistia Internacional não pede perdão, mas sim comutação da pena – por que não discutimos e criticamos a pena de morte aplicada nos Estados Unidos? Por que não solicitamos que eles também comutem suas penas por outras mais brandas e oferecemos asilo a seus condenados? A resposta é simples: os consideramos tão civilizados quanto nós e nossas culturas são parecidas. Reputamos como crimes fatos bem semelhantes e, por isso, não estranhamos tanto o que acontece por lá.
Mas cultura é cultura, ainda mais quando é milenar e define um país. Não importa se nos parece absurda ou medieval, é a cultura de um povo e, como tal, deve ser respeitada (e fico imaginando o que os iranianos devem falar quando assistem o nosso carnaval – devemos ser chamados de bárbaros para baixo).
Espero sinceramente que Sakineh Mohammadi Ashtiani seja libertada, que o fato de ter traído não seja motivo para execução ou, mesmo, prisão. Mas espero que isso ocorra por decisão única e exclusiva do governo do Irã, em franca mudança de suas regras internas, decidida por autoridade competente e não por pseudo pressão e jogos de força com segundas intenções.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mercado Imobiliário em LA, EUA.

A casa onde Dennis Hopper morou em Venice Beach, LA, até morrer em maio, aos 74 anos, pode ser sua pela módica quantia de US$ 6,2 milhões (cerca de R$ 10 milhões). E se a grana estiver aperta, há a possibilidade de comprar a casa onde Marilyn Monroe morou por seis meses até morrer, em 1962, localizada em aprazível bairro de LA.
A casa de Dennis Hopper é, na verdade, um complexo: uma casa principal e três "menores", tudo projetado pelo arquiteto Frank Gehry. Já a de Marilyn tem quatro quartos, três banheiros e uma piscina que nunca foi usada (mas que encantava a musa).
Agora... se não quiserem ir tão longe, tem uma casinha no bairro do Marco, rua asfaltada e ônibus na porta, gradeada, lajotada e forrada, por míseros R$ 2 milhões (não aceita financiamento pois o imóvel está irregular).
A seu critério. Aqui o site da imobiliária americana.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mulher condenada à morte por lapidação

Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, está no corredor da morte na prisão de Tabriz, no noroeste do Irã, e ainda corre risco de ser executada. Por volta de 7 de julho, em consequência de um clamor internacional, os oficiais de Tabriz pediram ao chefe do judiciário iraniano que concordasse em converter a pena de morte por lapidação em execução por enforcamento
Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada em maio de 2006 por manter “relação ilícita” com dois homens e recebeu 99 chicotadas.  Apesar disso, foi também condenada por “adultério enquanto casada”, o que ela nega, e condenada à morte por lapidação [apedrejamento]. 
Depois dos protestos internacionais das últimas semanas, a embaixada iraniana em Londres declarou no dia 8 de julho que “Sakineh Mohammadi Ashtiani não seria executada por lapidação”, mas não fez menção de outros possíveis meios de execução. No dia 10 de julho, o chefe do Alto Comissariado dos Direitos Humanos no Irã disse que seu caso seria revisto, embora afirmasse que a lei iraniana prevê execução por lapidação. Entretanto, no dia 11 de julho, o chefe do judiciário provincial no Azerbaijão do Leste, Malek Ezhder Sharifi, disse que o apedrejamento ainda estava em vigor e seria implementado a qualquer hora por decisão do chefe do judiciário, aiatolá Sadegh Larijani Malek. 
Ezhder Sharifi disse também que Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada à morte em conexão com o assassinato do marido, mas isso foi questionado por um dos advogados dela, que afirma que ela tinha sido indultada pela família do morto, mas foi condenada a 10 anos de prisão como “cúmplice” do crime. 
Em 14 de julho, Sajjad Qaderzadeh, filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, foi chamado à prisão central de Tabriz. Acredita-se que foi interrogado por oficiais do Ministério da Inteligência que presumivelmente o advertiram a não dar mais entrevistas sobre o caso da mãe.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Direto de Portugal III


Mais uma da minha correspondente em Lisboa:

Fernando
Como podes ver, se por um lado os funcionários do Café "A Brasileira", do Chiado, reclamam dos maltratos, por outro lado, outros se preocupam com os passarinhos e com os animais que na rua podem não ter onde matar a sede. Na placa sobre a fonte está escrito, "O homem deve ser piedoso e humano para com os animais", o "piedoso" está um pouco apagado. É uma extensão daquela frase, "amar o próximo como a si mesmo". 
Beijo 
Maria Regina

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Direto de Portugal II

Da minha correspondente em Portugal, Maria Regina Maneschy:

Os garçons e funcionários do Café A Brasileira, do Chiado, o café onde Fernando Pessoa está permanentemente sentado em sua estátua de bronze, protestando contra os maltratos e baixos salários, na manifestação de hoje da Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).


E se fosse aqui no Brasil certamente seriam fregueses da Justiça do Trabalho no dia seguinte.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre pena de morte

Enquanto discutimos de forma bem vaga sobre a aplicação de pena de morte no Brasil, vejam como andam as coisas nos EUA:
Os Estados Unidos realizaram sua primeira execução por pelotão de fuzilamento em catorze anos. Ronnie Lee Gardner, condenado por assassinato no Estado americano de Utah, foi executado nesta sexta-feira.
A execução foi escolhida pelo próprio Gardner. Dos 35 Estados americanos que possuem a pena de morte, Utah é o único que oferece o fuzilamento como opção, para os que foram condenados antes de 2004. Depois da rejeição de última hora de uma suspensão da execução da sentença, Gardner foi executado por cinco atiradores anônimos em uma das salas da prisão onde ele cumpre pena.
Sua morte foi atestada às 00h20, hora local. Gardner não viu os atiradores, que ficaram no escuro enquanto ele esteve debaixo das luzes a cerca de seis metros deles, com um capuz na cabeça e um alvo colocado sobre seu coração.
Gardner, de 49 anos de idade, foi condenado pela morte de um advogado em 1985 ocorrida dentro de um tribunal.
Desde que a Suprema Corte americana permitiu que Estados americanos voltassem a aplicar a pena de morte, em 1976, apenas dois condenados foram executados por fuzilamento. Gary Gilmore, em 1977 e John Albert Taylor, em 1996, em um caso que atraiu grande atenção da imprensa.
Em 2004, legisladores do Estado acabaram com a possibilidade de escolha, ainda oferecida aos previamente sentenciados.
Treino
Os atiradores ficaram atrás de uma tela com fendas estreitas para suas armas. Eles também treinaram tiro sincronizado para que fosse ouvido apenas um único barulho de disparo, em uníssono.
No entanto, nenhum dos cinco tem com saber se sua arma causou a morte de Gardner. Uma das cinco armas foi carregada com uma bala sem carga, provavelmente uma bala de cera, que daria o mesmo coice que uma bala verdadeira.
As identidades dos atiradores - policiais locais que se ofereceram voluntariamente para o serviço - será protegida para sempre. Os atiradores e funcionários que ajudaram no planejamento da execução receberão uma moeda comemorativa com o nome de Gardner.
Gary DeLand, diretor-executivo da agência penitenciária de Utah entre 1985 e 1992, conheceu Gardner durante seus anos de prisão e afirma que não esteve surpreso pelo seu pedido.
"Ele era um homem particularmente violento. Ele era mantido separado dos outros prisioneiros. Ele era o tipo de pessoa que poderia machucar outros apenas por diversão e gostava de causar problemas", disse.
Velho Oeste
O caso da execução de Gardner atraiu grande atenção nacional e internacional, pois o método vinha sendo fortemente criticado. Muitos alegam que o pelotão de fuzilamento é uma herança dos tempos do Velho Oeste e deveria ser abolido.
De acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu a Utah a permissão para o uso do pelotão de fuzilamento como método de execução em 1879.
"Este é, claramente, um regresso a um tempo mais antigo e as pessoas perguntam como nós ainda fazemos isto?", disse recentemente Richard Dieter, diretor-executivo do centro, ao canal americano CBS.
Mas, Gary DeLand afirma que não sabe por que a execução por pelotão de fuzilamento gera tanto interesse. "Uma execução é uma execução", disse. "Acho que é apenas curiosidade mórbida."
Familiares e amigos de Michael Burdell, o advogado morto por Gardner dentro de um tribunal, teriam dito que a execução simplesmente seria uma vitória da violência que o advogado tentava combater.
Historiadores, por outro lado, afirmam que o método de execução tem origem em uma doutrina do século 19, da religião mórmon, predominante no Estado americano de Utah. Atualmente a igreja não tem opinião sobre assunto.

Fonte: Terra

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Bhopal

“Muitos – particularmente as crianças e os velhos – morreram nas suas camas quando o gás entrou nas suas casas. Outros, incluindo mulheres que agarravam os seus bebés, fugiram apenas para caírem na rua. Muitos foram encontrados depois, amontoados, doentes e agonizantes nas entradas da cidade. Manadas de bois foram mortas e cadáveres de cabras cobriam as bermas das estradas onde antes vagueavam. As folhas das árvores ficaram amarelas e enrugadas – as colheitas ficaram queimadas nos campos e foram cobertas por uma fina camada branca.” (BBC, 28 de Agosto de 2002)

"O máximo que podem conseguir são dois anos de prisão e cinco mil rúpias de multa (cerca de US$ 105) para a liberdade pagando uma fiança. Foi uma bofetada para todos e uma decisão vergonhosa" (Rashida Bee, da associação Chingari, 07 de junho de 2010)

Qual o resultado da soma? Uma fábrica de produtos químicos + enormes falhas no sistema de segurança + pressão constante da matriz americana para gerar mais lucros + um entorno de favelas recheadas de gente pobre.

Na Índia, cidade de Bhopal, madrugada de 03 de dezembro de 1984, o resultado destes fatores foi a morte imediata de três mil pessoas, segundo a Suprema Corte daquele país. Desde a fatídica noite, segundo várias organizações médica, mais de 25 mil pessoas morreram vítimas de seqüelas. Muitas outras estão incapacitadas para trabalhar de forma irremediável, escravos que são da miséria e de seu sofrimento. Foram 40 toneladas de metisocianato, produto químico dos mais tóxicos, que vazaram de uma fábrica americana, a Union Carbide, produtora de inseticidas.

A empresa alegou, inicialmente, que havia sido vítima de um atentado terrorista. Depois, não mais conseguindo manter tal versão, passou a sustentar a tese de sabotagem cometida por um de seus funcionários. Por fim, ficou provado que grande quantidade de água foi introduzida de forma incorreta e irresponsável em um dos tanques. Isso teria gerado uma forte reação química que aumentou a pressão interna no cilindro e, enfim, resultou no vazamento fatal.

A Union Carbide foi comprada pela Dow Química em 2001, empresa que adquiriu seus ativos e seu passivo, inclusive os ambientais. As vítimas ainda lutam para receber, dos novos donos, indenização qualquer que lhes ajude a enfrentar a desgraça vivida.

Hoje, 07 de junho de 2010, depois de 26 anos de tramitação, o Tribunal de Bhopal condenou oito dos acusados pelo escapamento tóxico de 1984. Depois de duas décadas de julgamento, declarações de 178 testemunhas da acusação e oito da defesa, elaborou um total de 3.008 documentos e quase 30 mil mortos, oito pessoa foram finalmente condenados por ter "causado mortes com negligência" e por "homicídio culposo sem grau de assassinato". As penas - no máximo de dois anos segundo diferentes meios de imprensa - serão conhecidas em momento posterior.