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terça-feira, 9 de março de 2010

Resmungo n.º 04 - Anúncios fúnebres

Belém, 03 de março de 2010.

É engraçado como se mede a importância de um morto nessa cidade. O morto, quanto maior a quantidade de anúncios fúnebres nos jornais, mais importante é! Falo do morto que tem toda a parentada mobilizada, a enxurrada de quadrados com os mesmos dizeres colados e copiados, a singela mudança somente nos nomes dos que avisam. Antes, era a família unida que avisava: morreu meu parente querido. Hoje, cada filho, cada empresa, cada amigo, a mesma notícia que se repete como se para mostrar: Viu? Esse era importante! Amanhã, na competição para ver quem tem mais nome, passaremos a ter anúncios separados por filhos; por genros e noras; por netos; empresas, empregados e, por que não, por animais de estimação!? No cálculo geral, qual seria a razão de não valer mais um ponto um singelo: Totó tem a desagradável obrigação de informar a morte de seu dono!? Bobagem achar ter o dever de provar, com o nome do falecido estampado no jornal, o quanto se vale; o nome na folha usado como falsa medida de algo que a ninguém interessa, mera satisfação pessoal dos que ficam, vontade de provar boa e importante ascendência. O curioso, imaginando esse jogo ilusório de orgulho e vaidade, é saber que o morto jaz no caixão, calmo e tranquilo, sem nem saber o que fazem dele... A vida é para os vivos. As vanidades também!

P.s.: o resmundo é homenagem a Ferreira Gullar e seus resmungos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Racionalidade Absoluta

Acabo de tuitar que o maior inimigo do homem é sua mente, o ser silencioso e imprevisível que parece agir de forma apartada de nosso querer. Quem, em sã consciência, deseja sentir ciume, raiva, medo ou insegurança? Ninguém opta por isso e, se fossemos marcianos e utilizassemos mais do que os míseros 10% de nosso cérebro, certamente seriam sentimentos extintos, a racionalidade que seria absoluta. Grande parte do ruim que nos assola é fruto exclusivo de nossa mente, do inimigo interno que dormita acima do nosso pescoço e está sempre pronto à certeira rasteira que levará ao fundo do poço. Disso surge a depressão, que te segura no quarto escuro, o medo, que te faz agredir, o pavor e a insegurança, que te congelam e impossibilitam a ação. De tudo achas que deves te defender, um soco nunca certo que tua mente faz crer real. Minha mãe diz que o grande inimigo do homem é sua mente. Cresci escutando isso e fiz verdade absoluta em minha vida. O grande trabalho do homem moderno é ir contra sua falta de razão, manter a racionalidade em sua vida mesmo se o comandante der ordens contrárias. E não esperem que escreva sobre a soluçao do problema, a dica infalível que trará a vitória contra o inimigo. Mais fácil que eu pereça, vítima mais do que certa de suas artimanhas.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Resmungo n.º 03 - Boris Casoy

Boris Casoy fez um comentário desastroso sem saber que seu áudio estava liberado. O comentário é desastroso pois feito por pessoa que tem como marca registrada a frase isto é uma vergonha! É ainda jornalista, profissional que depende da sua credibilidade para o bom exercício do metier. Então me pergunto: quantos isto é uma vergonha foram verdadeiros nestes muitos anos de serviço prestado em prol da moralidade e do bom exemplo?, uma dúvida sem maldades que me surge diante do péssimo exemplo demonstrado na surdina e da falta de moral do comentário covarde do achar-se fora do ar, o crucificar dois garis que desejavam feliz ano novo a todos do alto de suas vassouras. O problema não é ter falhado! O problema é ter sido uma falha de caráter!



P.s.: o resmundo é homenagem a Ferreira Gullar e seus resmungos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Resmungo n.º 02 - Profissões

Não entendo por que algumas coisas mudam! Saia na rua e procure uma cabeleirera, mas fique certo que será mais fácil encontrar uma Hair Stylist ou Hair Design. O nome é chic, pomposo, mas continua sendo a mesma coisa - cortar cabelo. Outra: algum de vocês conhece uma confeiteira, daquelas especializadas em bolos? Sim, mas deve se chamar Cake Design! E não achem que a mudança se deve a frescuras e considerações chics e modernas vindas do inglês, pois pode acabar encontrando, em algum curso, um facilitador ao invés de um professor.

Procurei também uma breve listas de profissões antigas, muitas delas extintas: ferreiro, cocheiro, telegrafista, foguista (que cuidava da fornalha do trem), guarda-freios, tipógrafo, acendedor de lampiões, limpador de chaminé, motorneiro (condutor de bondes), cerzideira (conserto de roupas rasgadas ou gastas), ascensorista, datilógrafo.

E quem sabe o que outras profissões não farão parte desta lista no futuro!?

P.s.: o resmundo é homenagem a Ferreira Gullar e seus resmungos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Resmungo n.º 01 – Meus seguidos raptos!

Belém, 08 de dezembro de 2009.

Hoje fui raptado pela segunda vez sem nem sair de minha casa, somente a sanidade de meus pais que sofre com a violência absurda por telefone, a voz do filho que chora desesperado pedido socorro qualquer que o livre de garras invisíveis. Da primeira vez quase tudo deu certo para os bandidos, a nos salvar o telefonema de última hora que confirmou o almoço com amigos. Mas o pai chorou e não agüentou falar, a perda certa que já lhe tolhia a alma, e a mãe teve tonturas de labirintite, noites mal dormidas.

Tudo isso em todo o lugar, com todos, e ninguém consegue fazer nada, simples interdição de celulares que entrem em presídios, proibição que já existe e ninguém consegue cumprir! Engraçado que não consigo entrar em avião com simples pinça ou tesourinha de unha, mas os bandidos conseguem o que querem, inclusive quase matar meu pai de susto.

P.s.: o resmundo é homenagem a Ferreira Gullar e seus resmungos.