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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Agressão

Serra foi agredido e isso parece engraçado para alguns. Para mim, agressão é agressão, não importa se feita com palavras, pedras ou rolos de fita crepe. Obviamente a graça surge de acordo com conveniências e interesses de quem ri - mas é errado.
A agressão contra Serra é feia por ter sido agressão - e não por ter sido contra ele. Seria feia da mesma forma, a mesma agressão, se perpetrada contra Dilma, seja com palavras, pedras ou rolos de fita crepe. 
Por exemplo - não gosto de receber e-mails em que a candidata Dilma é agredida sendo chamada de terrorista, assassina, bandida e assaltante (e acreditem, recebi muitos e-mails assim)! Já havia me manifestado no twitter e volto a me manifestar aqui: Dilma fez o que fez, se é que fez, por conta de um momento histórico e político totalmente diferente do que vivemos hoje. É muito injusto fazer comparações agora, nesses dias pacíficos que vivemos.
Seria bom, antes de chamar Dilma de terrorista, imaginar quão importante foram suas atitudes, e de muitos outros, para essa calma que vocês desfrutam agora. 
O que vocês chamam de banditismo eu chamo de coragem, coragem de pessoas que enfrentaram uma ditadura, que correram riscos, que foram torturadas, que foram espancadas, que foram estupradas e que foram 'sumidas', justamente para conseguir a democracia que hoje se celebra com essa eleição.
Então parem de agredir Dilma com palavras pois isso não é engraçado - assim como não deveria ser engraçada a agressão contra Serra, feita com um rolo de fita crepe. 
Agressão é agressão, seja como for, seja contra quem for.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Jordy

Acho que essa foto é a que melhor simboliza a concreta vitória de Arnaldo Jordy. A faixa estava afixada na frente da casa de um eleitor. De noite a faixa foi cortada por um vândalo e eis o recado deixado pela dona da casa.

Ampliem para ler:
"Você cortou minha faixa, mas não quebrou meu voto.
É Jordy 2323, Federal Ficha Limpa"

Resultado da enquete

Resolvi colocar uma enquete no blog e eis o resultado: 67 pessoas (ou 73% dos eleitores) votariam em mim para Deputado; 21 pessoas (ou 23% dos eleitores) não votariam em mim para Deputado; e 3 pessoas (ou 3% dos eleitores) ficaram indecisos. Sabem o que isso significa? Nada. Nem eu sei o que representava essa enquete - eu só a coloquei para testar o sistema de votos do blog. Agora, vamos ver se coloco coisas mais interessantes.

sábado, 2 de outubro de 2010

E o palhaço se elegeu

Ele tentou várias carreiras e nunca foi bem sucedido em nenhuma delas. Ele tem pouco estudo e muito do que aprendeu foi com a vida. Um dia ele virou comediante e, no papel de palhaço, se tornou nacionalmente conhecido. Um dia ele resolveu entrar para a política. É dono de frases desconcertantes como Quero arranjar um trabalho bem pago pra poder ajudar meus amigos e parentes. Também quero ter assessores e ganhar um monte de coisas de graça”, A verdade é que não temos nenhuma plataforma partidária, mas fingimos ter uma” ou "Pior não fica". Mesmo com tais frases, se elegeu para um importante cargo político em seu país.
Tiririca, certo?
Errado!
Estou falando de Jón Gnarr, personagem inventado pelo cidadão islandês Jón Gunnar Kristinsson, que venceu as eleições de maio de 2010 para Prefeito da capital Reykjavík, o segundo cargo mais importante da hierarquia política do país, perdendo apenas para o de primeiro-ministro, com 20.666 votos, 34,7% do eleitorado.
Prefeito de Reykjavík, capital da Islândia, o palhaço Jón Gnarr
"Pior não fica"
Para poder se candidatar Gnarr fundou seu próprio partido, o Melhor Partido, que "tem a grande vantagem de poder fazer muito mais promessas do que seus concorrentes políticos pelo fato de não ter, assumidamente, a menor intenção de cumprir qualquer uma delas. Muitos eleitores afirmam ter sido exatamente esta a razão pela qual votaram em Gnarr: nenhuma plataforma de governo lhes soara tão honesta."
As promessas do palhaço incluíam "toalhas grátis em todas as piscinas públicas, ônibus gratuito “para estudantes e pobres coitados”, tratamento dentário grátis “para crianças e pobres coitados”, um Parlamento sem drogas até 2020 e – verdadeira pedra de toque do programa – um urso polar para o minizoo. Segundo Gnarr, a medida atrairia multidões de turistas e aumentaria a receita do combalido erário municipal. (...) No seu discurso de vitória, Gnarr tranquilizou a população: “Ninguém deve ficar assustado com o Melhor Partido”, assegurou, “porque ele é o melhor partido. Se não fosse, seria chamado de Pior Partido, ou Partido Ruim. Nós nunca trabalharíamos para um partido assim.” Aduziu, a título de argumento definitivo: “E pior não fica. "
E para quem acha que a coisa toda só poderia ter um destino, a bancarrota, mude seus conceito - a administração municipal vai muito bem. "O dia a dia do prefeito é acompanhado por 35 mil pessoas que o seguem no Facebook, o que corresponde, num país de 320 mil pessoas, a mais de 10% da população islandesa, ou quase 30% dos habitantes de Reykjavík. Diariamente, a turma é convocada a participar de microplebiscitos virtuais sobre questões da cidade: “Ônibus devem ou não ser gratuitos para menores de 18 anos?” “Quebra-molas devem ser abolidos?” “Os postes do centro são bonitos ou feios?”Nas sete piscinas públicas da capital, toalhas de graça e gratuidade para crianças com menos de 5 anos aumentaram, só nos primeiros onze dias, em 60% a frequência da meninada.
(...)
Um mês depois de assumir – e mesmo não tendo resolvido a questão do urso polar, cuja ausência no minizoo é conspícua –, 71% da população se diz satisfeita com Jón Gnarr. Alguns se assustam com tamanha popularidade. “O Melhor Partido foi formado em torno de um tipo de líder supostamente bufão e apolítico”, analisa o professor de literatura da Universidade da Islândia, Ármann Jakobsson. “Isso não é novidade. A Forza Italia de Silvio Berlusconi é outro exemplo de um partido que se dizia contrário aos políticos tradicionais.” "
Com tamanha popularidade, não falta quem o defenda de críticas e comentários jocosos: “Todos os políticos são uns idiotas. Pelo menos Gnarr é um idiota engraçado”, disse uma fã, dia desses.
Se quiser ler o texto na íntegra, aqui vai o link para da Revista Piauí.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Candidato novo, discurso velho

Provável futuro Senador da República por São Paulo,
o Estado mais rico da Federação
"Nos últimos dias eu senti na pele o ódio da elite paulistana e de uma parte da imprensa, que inventa mentiras" a frese é de Netinho de Paula, candidato ao Senado pelo PC do B, Partido Comunista do Brasil.
Netinho, que pelo visto agora é comunista, narrava episódio ocorrido na última terça-feira, quando a Polícia Civil esteve em sua casa, em Alphaville, e fotografou a área externa do imóvel. Netinho é alvo de inquérito aberto a pedido do Ministério Público Eleitoral de Barueri, que investiga se o cantor omitiu bens em sua declaração á Justiça Eleitoral. Ele vive em uma casa avaliada em R$ 2 milhões, que não está em sua declaração. "Todo mundo aqui sabe de onde vem o meu dinheiro. Eles foram na minha casa, bateram na porta e disseram: 'É a polícia'. Meu filho perguntou se eles tinham mandado. E eles não tinham", disse Netinho.
"O negrão está incomodando" (...) "Mas vai incomodar muito mais. Eu não vou responder com ódio. Vou ser um bom senador para eles [a elite e a imprensa]", ressaltou.
Com informações da Folha.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Palavra do Dia n.º 33

Para aqueles que buscam descobrir o resultado das eleições num Estado sem pesquisas, aqui vai minha palavra do dia...


      Halomancia
      (halo- + -mancia)
      s.f.
      Adivinhação por meio de sal.


Peguem seus saleiros e respondam: Dilma ou Serra, Jatene ou Ana?

Correção

Segundo fonte segura, não houve qualquer forma de mobilização ou intenção, por parte da coligação Acelera Pará, no sentido de impugnar ou contestar a misteriosa pesquisa do Vox Populi. Teria havido, isso sim, receio por parte dos proprietários do jornal Diário do Pará que, diante do resultado (seja qual tenha sido), optaram pela sua não publicação. A bem da verdade, que fique escrito, publicado e registrado.

domingo, 12 de setembro de 2010

Mulher de garra

Outro dia vi uma senhora, candidata a Deputada Estadual, afirmando na propaganda eleitoral: "sou mulher, negra e lésbica. Vote em mim". A primeira pergunta que me passou pela cabeça foi - e as propostas, senhora candidata? E as propostas? E se é assim, lá vai: estou ficando gordo e careca. Pago duas pensões. Vote em mim! Simples assim, sem proposta nem nada. Vote somente pelas condições pessoais. Outra afirmação que me chama atenção, feita em diversas campanhas: "Vote na Fulana, uma mulher de garra"E para ajudá-los nesta árdua tarefa de escolher seu candidato, segue a foto da mulher de garra:

Sinuca de Bico

Pensem bem na sinuca de bico enfrentada pelo PT paraense:
Fato 1: Existe uma pesquisa para Presidente e existe uma pesquisa para Governador (e me refiro a esta última, do Vox Popoli, devidamente contestada pelo PT).
Fato 2: A pesquisa para Presidente dá como favas contadas a vitória de Dilma, do PT, já no 1º turno.
Fato 3: A pesquisa para Governador, por seu lado, garante a derrota de Ana Júlia, do PT, também no 1º turno.
Fato 4: Se o PT paraense alegar que pesquisa regional não significa nada, estará afirmando, também, que a pesquisa nacional não significa.
Fato 5: O PT paraense tenta, de todas as formas, evitar a divulgação da tal pesquisa, justamente para não se ver na citada sinuca de bico.
Fato 6: A lama do fundo e revolvida, os dejetos jactados no ventilador, e faz-se confusão maior, verdadeira curiosidade atiçada para o fato que se pretende esconder.
E aí não tem mais jeito...
Desqualificar uma pesquisa é desqualificar todas as pesquisas. Desqualificar a vitória de Jatene é desqualificar a vitória de Dilma. Desqualificar a derrota de Ana Júlia é desqulificar a derrota de Serra.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O twitter e as eleições I

O uso do Twitter está disseminado nestas eleições. 
Na rede de microblogs encontramos de tudo: 
1. Candidatos que sempre tiveram ativa participação na rede (cito os candidatos Flexa Ribeiro, com 4.174 tuitadas, e Arnaldo Jordy, com 2.360 tuitadas); 
2. Candidatos que surgiram por conta das eleições, mas bem antes delas (Ana Júlia Carepa, com 3.043 tuitadas, e Simão Jatene, com 1.385 tuitadas);
3. E uma penca de candidatos que, em movimento tardio, ouviram falar de Twitter e resolveram ver se conseguiam tirar uma lasquinha (são tantos que nem me darei ao trabalho de listá-los).
Segundo informações de pessoas próximas, os dois candidatos ao governo do Estado não usam assessores para tuitar. Os únicos momentos em que permitem tal intervenção é durante eventos ou grandes impedimentos (cheguei mesmo a saber o aparelho usado pela Governadora e o modelo que usa agora. Infelizmente não houve manifestação por parte de correligionários do candidato tucano). 
Já os candidatos Flexa e Jordy, desde sempre usaram o twitter para divulgar sua atuação e para a campanha. Se usam assessores o trabalho é muito bem feito - as tuitadas são sempre pessoais e com detalhes da intimidade e do dia-a-dia dos donos da conta.
Os outros, aqueles que não cheguei a citar, não tenho maiores conhecimentos pois surgiram faz bem pouco tempo e não os sigo (eis que se destinam exclusivamente à campanha política - e se quiser campanha política assisto ao programa eleitoral).
O uso da internet é vantajoso para todos: os candidatos têm novo acesso aos eleitores, e estes podem verificar com mais precisão as propostas e o dia-a-dia de quem pretende exercer um cargo público. Quem trabalha, e mostra e comenta seu trabalho, só tem a ganhar. E ganhamos nós que, em maior proximidade, acabamos tendo melhores condições de escolha. 
Na minha avaliação, os candidatos @flexa456, @arnaldojordy, @anajuliapt13 e @sjatene45 são bons exemplos do que digo no parágrafo acima. 

P.s.: necessário fazer uma observação - outro político que sempre utilizou o Twitter é o Vereador de Belém Carlos Augusto (7.169 tuitadas), que usa a rede de microblogs para divulgação de sua atividade pública e para o exercício da boa convivência com a população. Ele não é mencionado acima pois não é candidato na eleição de outubro de 2010, mas necessário fazer a menção.

domingo, 5 de setembro de 2010

Como será a bala de prata na campanha

Certas coisas realmente me assustam - nem tanto pela sua carga de terrorismo, mas pela sua possibilidade real. Li isso no FaloPorqueTenhoBoca, que tirou daqui.

Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada?
Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro:
1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião pública.
2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era "bandida" e "assassina". Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola - em Curitiba - as coleguinhas repetem a mesma história.
As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo. Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito.
Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado.
A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final.
A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena.
Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto.
No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa.
Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço esse lixo.
Essa loucura - que, tenho certeza, ocorrerá - será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história. Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre.
Todas essas possibilidades são meras hipóteses que parte do pressuposto da falta de limites total da velha mídia.
Mas a hipótese fecha plenamente.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

De concreto, uma máfia existe

Quero fazer algumas considerações sobre o bafafa da quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas ao Serra. Sem entrar no mérito jurídico da questão, algumas coisas me chamaram atenção:
[1] Por que os petistas resolveram fazer sujeira justo no quintal deles? O ABC Paulista é tradicionalmente ligado ao Presidente Lula. Foi lá que ele começou sua carreira, no movimento sindical, e é  lá que ele pretende morar quando deixar a Presidência. Cometer um crime dessa monta, ainda mais no ABC Paulista, significa chamar a atenção em verdadeiro tiro no pé.
[2] Será que os pretensos bandidos petistas foram tão inaptos ao ponto de não descobrir as pessoas certas sobre as quais obter informações comprometedoras? Digamos que pessoas ligadas ao PT tenham realmente feito isso, quebrado sigilo fiscal de parente, colegas e amigos de José Serra.  Pelo que sei, dentre todos que foram vitimados pelo crime, nenhum deles tem qualquer coisa de anormal que possa ser considerada constrangedora. Bandido reconhece bandido, corrupto reconhece corrupto. Será mesmo que a pretensa "máfia" petista se arriscaria tanto, deixando rastros e pistas do tamanho de elefantes, se não fosse para conseguir informações certeiras?
[3] Por que tal fato acontece justamente no momento em que Serra despenca e Dilma dispara, faltando pouco tempo para as eleições? Por que tal fato ocorre justamente quando Serra contrata um guru indiano, Ravi Singh, considerado um às em campanha política digital, mas também considerado uma espécie de Rasputin, personagem capaz de coisas ruins na calada da noite?

Feitas tais observações, concluo com duas possibilidades:

[4] Existe uma tal "máfia" petista que é burra: sujou seu próprio quintal, deu um tiro para cima ao obter de forma criminosa informações fiscais que de nada serviriam, e ainda criou um excelente mote para uma tentativa de alavancar a campanha de seu adversário.
[5] Existe uma tal "máfia" tucana que tenta ser esperta: direciona as provas todas para que o crime recaia sob um único possível suspeito (Dilma, ou PT, ou Lula, ou quem for contra), saem de coitadinhos já que as informações fiscais comprovam a honestidade e seriedade de pessoas próximas ao candidato Serra.
Fato é que dificilmente saberemos a verdade, não importa quem ganhe em outubro. Quem perde é o povo brasileiro, eu e você, mais uma vez feitos de bestas e de massa de manobra (não importa quem seja o culpado). Perde ainda a Receita Federal, sempre um bastião de moralidade e fonte de bons exemplo, agora usada como arma sombria por interesses escusos.
E entendam - esse não é um blog político, ligado de forma intrínseca a essa ou àquela corrente. Obviamente tenho minhas preferências, e algumas vezes elas ficam evidentes. Mas acima delas estão minhas insatisfações, a verdade e minha  inteligência. Que venham os culpados, se tivermos sorte, não importa quem sejam.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Bastidores do debate

Com absoluta exclusividade, consegui fotos inéditas dos bastidores do último debate entre os candidatos.
Inicialmente ferinos, principalmente diante das câmeras, os senhores candidatos se mostraram amáveis e afáveis, praticamente num reino de fantasia, luz e magia, quando nos bastidores.
Se continuarem assim após as eleições, tão educados e gentis, este pleito será memorável e o Estado será um reino mágico de fantasia e avanço.
Vejam as fotos e tirem suas conclusões.

Candidatos acenam ao público que, por cinco reais/dia, gritava seus nomes.
Candidatos durante a foto oficial do evento (click de W. Mello).
Candidatos durante a demonstração de seus dotes artísticos (fase inspirada nos concursos Miss Mundo e Rainha das Rainhas da Sucata).

Agora eu pergunto:
Sabe quem é o pateta?
Você.

P.s.: adora a palavra pleito. Só perde para blunda!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Humor negro

Como humor negro ainda é humor - e não há lei em sentido contrário, muito menos decisão do STF ou do TSE, repasso a piada que me foi enviada pela Luciana Pombo (com pequenas modificações - quem as descobrir ganha um prêmio).
A vidente se concentra, fecha os olhos e fala: Vejo a senhora passando em uma avenida bem larga, em carro aberto, e uma multidão acenando.
A Candidata sorri e pergunta:
- Essa multidão está feliz?
- Sim, feliz como nunca!
- E eles estão correndo atrás do carro?
- Sim, por toda a volta do carro. Os batedores estão tendo dificuldades em abrir caminho.
- Eles carregam bandeiras?
- Sim, bandeiras do Brasil e faixas com palavras de esperança e de um futuro em breve melhor.
- Eles gritam, cantam?
- Gritam frases de esperança: "Agora sim!!! Agora vai melhorar!!!"
- E eu, como estou reagindo?
- Não dá pra ver.
- E por quê não?
- Porque o caixão está lacrado...

domingo, 29 de agosto de 2010

Playmobil

Do nada - de repente, não mais que de repente - a cidade se encheu de carrinhos com sirenes e símbolos da PM. 
Ocupados por dois policiais (geralmente), os tais carrinhos começaram a marcar presença nas calçadas das ruas mais movimentadas e, não raro, passei a cruzar com eles quase que diariamente.
Logo descobri que se tratava de contrato para melhorar a segurança na cidade mediante a locação de viaturas novinhas para os milicos.
Louvável... Louvável... A PM está equipada e a frota poderá ser trocada mais facilmente.
Mas eu me pergunto: agora, faltando pouco mais de um mês para as eleições, tudo melhorou? A cidade estará bem policiada e não precisaremos mais entoar o "quem poderá nos salvar" de todo dia? 
Maravilha... Maravilha...
Mas por que isso tudo não foi feito nos três anos anteriores de governo? 
Por que não se pensou nesta salvação nos dias tenebrosos de diários assaltos com reféns, seqüestros relâmpagos e uma penca de gente morrendo por nada? 
Por que somente agora, governadora? 
Por que não antes?
Vislumbro três resposta: [1] talvez agora, diante do pleito que significa referendo ao seu governo, a governadora queira mostrar que a cidade está bem guardada, com ruas tranqüilas e pacíficas, praticamente uma Suécia; [2] além de maquiar as ruas, a Governadora também evita, com o aumento do policiamento, um crime bárbaro e cruel que poderia jogar contra si a opinião pública (e ela escapou por pouco de sofrer com isso, graças a Deus!, com a bravura da sobrevivência da Marina Eiro!); [3] talvez seja genuíno interesse na melhoria da segurança na cidade, a capital mais violenta do país.
Qualquer que seja a motivação, espero firmemente que tais carrinhos não sumam de nossas ruas e calçadas após o mês de outubro, não importando quem seja o vencedor nesta cidade que se vê entregue à bandidagem, os donos absolutos de nossas vidas.
Chego até a agradecer pelo fato de a cidade estar bem policiada - mesmo que somente agora.
Mas deixo dois pontos de reflexão - e espero que vocês REFLITAM:
[1] Já imaginaram os pobres militares em perseguição pelas ruas de Belém, os bandidos num carro motor 1.4 e os milicos num carro motor 1.0 (se bem que tal perseguição seria de cinco em cinco metros por conta dos constantes engarrafamentos)? Obviamente os bandidos têm maiores chances de ganhar a partida.
[2] Já pensaram se os militares, agora em maior número e equipados com muitas viaturas, começarem a prender bandidos de forma acelerada? Onde vão colocá-los? As cadeias das Seccionais estão abarrotadas, os presídios também! Será que eles ficarão nos porões do Palácio dos Despachos?

Hoje é domingo, dia de caos em Belém

E então? O caos do barulho e da falta de respeito, o caos da propaganda política sem virtudes e da baderna, essa horda montada nos seus trios elétricos já passou na porta da sua casa hoje?
O domingo não é mais do Belenese. O domingo é dos caminhões de som, carregados de políticos interessados unicamente nos seus interesses, pouco interessados no sossego e na paz de quem quer paz, fazendo uma festa unicamente deles. E o domingo também é do mar de carros e motos, a maioria contratada por um belo DAS - ou pela promessa dela - e uns poucos idealistas.
O domingo, em Belém, não pede cachimbo. O domingo em Belém pede respeito.
Mas quem ainda respeita alguém nesta terra esquecida e consumida?
A segunda capital mais barulhenta. A primeira capital mais violenta. Belém!
Ninguém nos respeita, muito menos o político profissional.
E pensem: é esse político, esse mesmo que pouco liga para a sua paz que terá, pelos próximos quatro anos, a responsabilidade de administrar a coisa pública.
E vocês acham que, nesta função, eles farão diferente do show de interesses privados que esfregam na nossa cara, do alto dos seus potentes trios?
Não. Será a mesma coisa - mas, dessa vez, na surdina e no silêncio da calada da noite.

sábado, 28 de agosto de 2010

Movimento contra carreatas

Amanhã é domingo, dia escolhido por políticos para carreatas e motocarreatas, peregrinações barulhentas e confusas pelas ruas da cidade em dia que deveria ser de paz. Os veículos são guiados, em sua grande maioria, por detentores de ‘boquinha’ chamada DAS – pessoas que não têm muita opção diante do aviso de “participar ou partir”. Já outros participam pelo interesse de que, um dia, consigam a tal “boquinha”, e são poucos os que realmente gostam disso, tal qual uma amiga que explicou adorar carreatas, ou que a seguem por ideologia pura.
Diante dos muitos relatos de aporrinhação, de perturbação por conta do som altíssimo e dos transtornos no trânsito, me faço algumas perguntas:
- O candidato que perturba a tranqüilidade de toda uma população UNICAMENTE por seus interesses pessoais está apto a cuidar da coisa pública?
- O candidato que prejudica o trânsito, que cria caos numa cidade já caótica, será a melhor opção para governar alguma coisa?
- O candidato que passa ao lado de hospitais e clínicas, casas e apartamentos, com um som altíssimo, bombardeante, poderá defender saúde e educação pública?
Sinceramente, a minha resposta às três perguntas é NÃO!
Não está apto a cuidar da coisa pública, não está apto a governar nada e nem defenderá saúde e educação. Com tal demonstração absurda de desrespeito, acho que tal candidato só estará apto a cuidar das suas coisas e dos seus interesses - e minha crítica serve para todos os candidatos, entendam bem, aos que voto e aos que não voto!
Por fim, termino com mais uma pergunta: para que serve carreata?
Somente para demonstrar poder e força política, mesmo que se use a coação de servidores ou o interesse de outros. Ou seja: não tem nada de força política, meus amigos! – há somente medo de uns e interesse de outros.
E o interesse do povo que quer paz no domingo, a semana inteira de trabalho nas costas, esse não interessa a ninguém.