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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
domingo, 3 de janeiro de 2010
A dieta e a Segunda-Feira
Me pergunto sempre qual a idéia que o Ano Novo nos revela? O que significa para o homem festejar um dia (1º de janeiro) que será exatamente igual a outro (31 de dezembro)? Será que a simples mudança convencional de datas é capaz de transformar a natureza de uma pessoa, suas vontades e direções?
Dito tudo, acho que fica clara a minha não ilusão no que se refere à mágica do ano novo, os fogos de artifício que teriam o condão de mudar nossas vida e, finalmente, fazer com que tudo fosse como sempre desejamos (será que um dia as coisas assim serão?)!
A mudança do calendário que nos revela o ano novo não deveria ser encarada como a segunda-feira da dieta, mas para a maioria que acredita no poder de superação intrínseco à passagem do ano, que acredita na magia que a mera mudança na folhinha representa, uma breve lição de superação e mudança que em nada lembra o transformar de uma hora para a outra ou a tão esperada segunda-feira da dieta:
Louis Armstrong foi o primeiro músico influente da história da única arte nativa americana. Nasceu pobre, em 1901, foi abandonado pelo pai e passou parte da infância catando lixo, enquanto a mãe prostituta caminhava pela Perdido Street, em New Orleans. Ele tinha tudo para virar uma estatística trágica do sul racista - foi preso aos 11 anos por dar um tiro na noite do ano-novo -, mas o destino interrompeu a trajetória quando ele, internado num reformatório, descobriu uma corneta. Antes dos 21 anos, Armstrong já estava plantado numa das melhores bandas de jazz do país, em Chicago. (trecho de texto publicado no Estadão hoje, 03/01/2010)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Reflexão de fim de ano
23 de dezembro de 2009.
Antes eu era jovem e desejava ter na cara a barba mal feita do galã de cinema, o ar de conquistador rebelde e independente. Mas apesar do querer não tinha na cara mais do que cinco míseros fiapos, o rosto tal qual bunda de criança, e acabei não sendo um jovem barbudo. Hoje tenho mais fiapos do que os cinco que me foram sempre fieis, mas acho que a idade já não combina com a rebeldia do galã de cinema.
Antes eu tinha todos os sonhos de viagens e aventuras por lugares maravilhosos e desconhecidos, a constante ameaça interna de colocar as coisas na mochila e partir. Mas apesar de ter todo o tempo do mundo, não tinha o dinheiro que desse para a mais curta ida a lugar qualquer. Hoje há dinheiro e não há tempo, o trabalho esfalfante com parcos feriados, os dias trabalhados até quase as festas de sempre chegar tarde.
Antes eu dormia a tarde inteira, o nada a fazer embalado pelo mormaço que batia no quarto, o calor lento que era deixado de lado pelo sono pesado, maciço. Hoje tenho correrias de re-matrículas dos filhos, materiais de construção sem fim, sufocos e compromissos, o só dormir como desejo nos finais de semana de sono corrido, sono sem preocupações quando sem compromissos.
Mas não achem que só de pioras tem sido a vida.
Hoje tenho casa minha, casa torta mas com lajotas escolhidas uma a uma, as cores que eu quis nas paredes, as coisas que acho serem parecidas comigo pelos poucos cantos da sala apertada.
Hoje tenho emprego bom e certo que me permite pagar tudo e ter ainda alguns pequenos luxos. É emprego trabalhoso, certamente, mas que é sempre melhor do que não ter emprego!
Sobretudo tenho filhos, e com eles entendi o sentido que se deve dar à vida! Carlos mora longe, a dor de sempre ao lembrar da distância, a vontade de não largar quando o abraço está feito mesmo que se debata o moleque, ânsia de fugir do pai e ir brincar. Maria mora perto, companheira de passeio e compras todas, opinião que já se leva em conta pela vontade imposta, minha criatividade nos presentes de Natal, bronca feita se visto o que ela não gosta.
E se sinto falta do que já tive e vivi, sou pleno com o que tenho hoje e por nada trocaria. A vida é assim, cada coisa a seu tempo, e hoje sei que vivo o que devo viver. Não poderia ser, para sempre, o moleque impúbere sem barba na cara, sem dinheiro no bolso e avesso a responsabilidades.
E que me venham os deveres, os quereres dos filhos e as marcas do tempo no rosto. Estou aqui para isso e disso não fujo.
Antes eu era jovem e desejava ter na cara a barba mal feita do galã de cinema, o ar de conquistador rebelde e independente. Mas apesar do querer não tinha na cara mais do que cinco míseros fiapos, o rosto tal qual bunda de criança, e acabei não sendo um jovem barbudo. Hoje tenho mais fiapos do que os cinco que me foram sempre fieis, mas acho que a idade já não combina com a rebeldia do galã de cinema.
Antes eu tinha todos os sonhos de viagens e aventuras por lugares maravilhosos e desconhecidos, a constante ameaça interna de colocar as coisas na mochila e partir. Mas apesar de ter todo o tempo do mundo, não tinha o dinheiro que desse para a mais curta ida a lugar qualquer. Hoje há dinheiro e não há tempo, o trabalho esfalfante com parcos feriados, os dias trabalhados até quase as festas de sempre chegar tarde.
Antes eu dormia a tarde inteira, o nada a fazer embalado pelo mormaço que batia no quarto, o calor lento que era deixado de lado pelo sono pesado, maciço. Hoje tenho correrias de re-matrículas dos filhos, materiais de construção sem fim, sufocos e compromissos, o só dormir como desejo nos finais de semana de sono corrido, sono sem preocupações quando sem compromissos.
Mas não achem que só de pioras tem sido a vida.
Hoje tenho casa minha, casa torta mas com lajotas escolhidas uma a uma, as cores que eu quis nas paredes, as coisas que acho serem parecidas comigo pelos poucos cantos da sala apertada.
Hoje tenho emprego bom e certo que me permite pagar tudo e ter ainda alguns pequenos luxos. É emprego trabalhoso, certamente, mas que é sempre melhor do que não ter emprego!
Sobretudo tenho filhos, e com eles entendi o sentido que se deve dar à vida! Carlos mora longe, a dor de sempre ao lembrar da distância, a vontade de não largar quando o abraço está feito mesmo que se debata o moleque, ânsia de fugir do pai e ir brincar. Maria mora perto, companheira de passeio e compras todas, opinião que já se leva em conta pela vontade imposta, minha criatividade nos presentes de Natal, bronca feita se visto o que ela não gosta.
E se sinto falta do que já tive e vivi, sou pleno com o que tenho hoje e por nada trocaria. A vida é assim, cada coisa a seu tempo, e hoje sei que vivo o que devo viver. Não poderia ser, para sempre, o moleque impúbere sem barba na cara, sem dinheiro no bolso e avesso a responsabilidades.
E que me venham os deveres, os quereres dos filhos e as marcas do tempo no rosto. Estou aqui para isso e disso não fujo.
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