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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Leia antes de sair...

Segundo o Mapa da Violência divulgado em 2012 pelo Instituto Sangari, em 30 anos, entre 1980 e 2010, a taxa de crianças e adolescentes assassinados no Brasil cresceu 346%. Foram 176.044 mortes por homicídio nesse período.

Somente como comparação, na Guerra do Vietnã, que durou 20 anos - entre 1955 e abril de 1975 - morreram 58.220 norte americanos. Ou seja, o número de crianças e adolescentes mortos no Brasil, em 30 anos de paz, é três vezes maior do que o número de soldados norte americanos mortos em 20 anos de guerra.

Percebam que, por enquanto, estou falando somente de crianças e adolescentes.

A coisa fica mais chocante se pegarmos o total de homicídios no Brasil, país sem disputas territoriais, movimentos emancipatórios, guerras civil, enfrentamentos religiosos, raciais ou étnicos: 1,091,125 vítimas de homicídio nos mesmos 30 anos - 1980 a 2010.


Entre 2004 e 2007, nos 12 maiores conflitos armados registrados no mundo, Iraque [76.266 mortos], Sudão [12.719 mortos], Afeganistão [12.417], Colômbia [11.833], Rep. Dem. do Congo [93347], Sri Lanka [9.065], Índia [8.433], Somália [8.424], Nepal [7.286], Paquistão [6.581], Índia/Paquistão (Caxemira) [4.956] e Israel/Território Palestino [2.247], temos um total de 169,574 homicídios (fonte: Global Burden of Armed Violence, divulgado pela Geneva Declaration Secretariat – www.genevadeclaration.org).

No Brasil, no mesmo período, 2004 a 2007, foram 192,804 homicídios – registros gerais. Matamos mais do que os 12 maiores conflitos armados do mundo. Inacreditável!!

E o Pará, que em 2000 teve 806 homicídios, em 2010 registrou 3.482 – crescimento de 332% em dez anos. Perdemos somente para São Paulo (5.745), Bahia (5.288), Rio de Janeiro (4.193) e Minas Gerais (3.538).

E o Pará, que em 2000 teve taxa de 13 homicídios por 100 mil habitantes, em 2010 teve taxa de 45,9 homicídios por 100 mil habitantes. Perdemos somente para Alagoas (taxa de 66,8) e espírito Santo (50,1). Em 2000 ocupávamos a 21ª no ordenamento de UF por taxas de homicídios. Hoje estamos num honroso (?) terceiro lugar.

No mesmo período, 2000-2010, Belém teve um aumento de 128,9% no número bruto de homicídios. Em 2000 foram 332 vítimas, quase uma por dia. Em 2010, passamos para 760 vítimas, duas por dia. Usando o mesmo critério, número bruto de homicídios, a Zona Metropolitana de Belém teve um aumento de 383,5% nos mesmos 10 anos – só perdemos para a Zona Metropolitana de Salvador, com aumento de 493%.

Somos a oitava capital onde mais se morre de morte violenta, usando-se como critério a taxa de homicídios por mil habitantes (somente para comparar, Rio de Janeiro é a 23ª. São Paulo é a 27ª).

Tudo isso, dados brutos e friso, interpretados em planilhas e relatórios, acabam se revelando de forma cruel na nossa vida por meio do medo. MEDO.

O IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em pesquisa de 2010 na qual perguntava aos entrevistados sobre o grau de medo em relação a serem vítimas de assassinato. O resultado é alarmante: no Brasil, 79% da população têm muito medo de ser assassinada; 18,8% pouco medo; 10,2% manifestou ter nenhum medo. Em outras palavras: oito em cada 10 brasileiros têm muito medo de fazer parte das assustadoras estatísticas acima.

Mas vamos às boas notícias, pois, sim, também temos algumas boas notícias.


O número e taxa de homicídios no Brasil vinham em crescimento constante desde 1970, 13.910 homicídios, com taxa (em 100 mil) de 11,7. Tais números seguiram em franco crescimento até 2003, quando chegaram ao auge, 51.043 homicídios, taxa (em 100 mil) de 28,9. A partir de então, começaram a apresentar pequena queda e relativo equilíbrio até 2010, data do relatório: 49.932 homicídios e taxa de 26,2.

Será isso um bom sinal? Precisamos de um...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Enquanto isso, no interior do Pará...

A chegada assusta.

Cerca de 20 homens fortemente armados com metralhadoras, fuzis, pistolas e revólveres, entre PMs e agentes da Susipe, todos tensos, descem de um Gol prata e um Fiat Stylo vermelho descaracterizados que acompanham o camburão. Do lado de fora, mais um Gol preto, igualmente descaracterizado, com mais quatro PMs.

As ruas ao redor do forum são completamente isoladas com cones, cordas e barreiras de metal e madeira: ninguém entra e ninguém passa, e acho mesmo que ninguém quer chegar perto do perigoso circo. Em cada um dos muros laterais do se posiciona um PM armado com fuzil, pronto para qualquer coisa e em constante atenção. Nas poucas e miseráveis casas que ficam em frente, muitos curiosos se debruçam nas janelas para ver o espetáculo.

No pátio de entrada do forum, amigos e familiares dos presos esperam por horas na esperança de ver e falar, mesmo que de longe, com aqueles que há muito estão afastados do convívio diário por conta do crime. Além deles, lá estão também as testemunhas e advogados dos réus presos, em um canto mais distante conversando em voz baixa.

O clima é tenso e não poderia ser diferente: dentro do camburão está parte do bando que entrou armado em Garrafão do Norte, cidade pequena no fim da linha de uma estrada, e a fez refém. Buscavam assaltar um posto bancário e conseguiram parar a cidade com tanta bala que dispararam. O bando que é capaz de tal ousadia pode muito bem providenciar tentativa de resgate igualmente violenta e absurda.

O assalto ao Posto Bancário foi em fevereiro de 2010, por volta de 08 h 30 min. Os assaltantes não pediram para entrar, simplesmente explodiram a porta giratória da entrada com tiros de escopeta e pistola. Já dentro, distribuíram farta munição em todas as direções. Entre gritos e palavrãos, o teto e as paredes foram crivados de balas, além de móveis e pessoas, marcas que ainda permanecem no local de forma incômoda, e na memória das cicatrizes.

No final, pegaram as armas dos vigilantes, mais 150 mil reais, e ameaçaram todos de morte caso tentassem alguma coisa. Sairam atirando a esmo no meio da rua, na Praça da Prefeitura cheia de gente, para intimidar qualquer possibilidade de perseguição ou reação. Foi um corre corre geral, cada qual querendo se esconder o mais distante possível, e assim conseguiram fugir com os reféns expostos na caçamba da caminhonete.

Fizeram o coordenador do posto, mais dois segurança de reféns, e rodaram com eles por cerca de 20 minutos. No final, aterrorizados, os coitados foram largados em uma das marginais da estrada de Capitão Poço. Finalizaram com um "agradecimento" ao bancário: "o senhor é um cara bacana. A gente ia ontem na sua casa pegar sua mulher e sua filha, mas preferiu vir aqui fazer o serviço."

...

Só de lembrar ele treme, diz que fica nervoso e que não entende como ser bancário no interior do Estado se tornou tão perigoso.

Após 37 anos em serviço entre Capitão Poço, Xinguara, Redenção e Garrafão, ele conclui: "Só recentemente percebi que há algo estranho no meu ouvido. Ele zumbe em algumas ocasiões. Foi culpa desses caras: me apressando para tirar o dinheiro do cofre deram um tiro bem do lado do meu ouvido, só para intimidar. Eu achei que tinha sido atingido a queima roupa..."

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- O que devo falar?
- Eles vão te perguntar sobre o assalto. Se souber, responde. Se não souber, não tenha vergonha e diga claramente 'não sei'. Se tiver dúvidas, diga isso ao juiz antes de qualquer resposta.

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Segundo o funcionário, quando é lançado alerta vermelho de assalto, a PM ajuda muito. Algumas vezes, quando podem, providenciam escolta entre Capitão Poço e Garrafão. Ou então, colocam uma viatura na frente do posto. Não dá para fazer sempre assim, a PM que acaba resolvendo quase todo o tipo de bronca nesses interiores, e mesmo que se providencie escolta entre as cidades, e mesmo que se plante uma viatura em frente ao posto, existe a certeza de que um novo assalto vai acontecer, isso é certo, faltando responder somente o quando.

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- E sua casa, tem algum esquema especial?
- Meu esquema é Deus, só Deus! Não tenho como pagar vigilância e nem o Banco pode pagar para todos seus funcionários. Também não quero a possibilidade de tiroteio em casa, um vigilante contra assaltantes e minha família no meio. Se eles vierem, e eu sei que essa chance existe, que venham em paz, façam o que precisam e partam sem confusão.

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- Na noite anterior ao assalto, percebi a S-10 preta me seguindo. Foi o mesmo carro usado no dia seguinte. De noite, quando percebi que havia algo estranho, liguei para minha esposa e disse: 'quando vir meu carro embocar na rua, abre o portão bem rápido e assim que eu entrar feche mais rápido ainda.' Chegando na frente de casa fiz uma curva fechada e entrei com velocidade. Minha mulher estava assustada, sem entender nada, e ainda percebeu o carro preto no início da rua já dando a volta. Ela me pediu cuidado e quase não dormiu de noite.

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A audiência começa na Sala do Juri: além dos advogados, juiz, promotor e serventuários da justiça, oito PMs e dois agentes da Susipe. Em seguida entram as testemunhas de acusação, todos muito assustados, e logo se sentam no local pré-determinado na plateia. Para a leitura da denúncia, entram os cinco réus em fila indiana e fortemente algemados, em uniformes azuis e laranjas quase sem cor. Os agentes de segurança, de forma instintiva, levam as mãos às armas e redobram a atenção. As testemunhas, que estão ali com o dever de incriminá-los, abaixam as cabeças intimidados e ficam em silêncio.

A leitura da denúncia é maçante e cheia de informações minuciosamente colhidas durante quase um ano. Quase ninguém presta atenção, até porque os que deveriam tirar algo de importante dali já a conhecem de cor e salteado.

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No final, testemunho prestado, todos se sentem aliviados com o término do terror: os presos voltam a ser colocados no camburão, mas ainda conseguem enviar sorrisos e beijos aos parentes que choram de saudade, e que esperavam desde tão cedo na parte de fora do forum.

Em seguida, forma-se a fila de carros caracterizados, carros descaracterizados, todos os homens armados em estado total de atenção, o medo constante de um resgate que provavelmente pode significa a vida de todos - até mesmo dos bandidos, eis que nunca se pode excluir uma queima de arquivo.

Levantadas as barreiras postas no meio da cidade, tudo parece voltar ao normal, inclusive o medo, quase certeza, de que não demorara muito para que o terror volte a se instalar, mais uma quadrilha ousada em busca de riqueza fácil num bangue bangue urbano.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Como explicar?

Chega a amiga de São Paulo e informa o desejo enorme de voltar ao Marajó. Se der, quem sabe?, até alongar a ida e visitar a casa onde nasceu Dalcídio Jurandir em Cachoeira do Arari. A primeira pergunta feita é: "como andam os assaltos aqui na região, aquelas histórias horríveis sobre piratas?" Quisera eu poder responder que tudo anda calmo, que nada mais acorre que justifique qualquer preocupação, mas tive que ser sincero. Disse que vez ou outra ainda ocorrem assaltos, vez ou outra ainda surgem histórias de crimes cometidos por Piratas, os Ratos d'água, e completei pedindo que eles viajassem pela parte da manhã e que tudo correria bem.
Infelizmente é isso que corre por aí, as notícias do Pará e de Belém que sempre falam de problemas, mortes e total descrença numa terra em que possamos viver em paz.
E bem... A amiga viajou, curtiu o Marajó e viu que a casa de Dalcídio foi derrubada... Na volta, hoje, foi ela quem me deu a notícia de mais um assalto nos rios do Pará - destaque regional na página pricipal do G1. Nas palavras do encarregado da balsa, “eles foram só assaltar. Eles acabaram, soltaram a gente e foram embora. Saíram como se nada tivesse acontecido. Infelizmente é comum as embarcações serem assaltadas na região. Já fomos assaltados outras vezes”. Smples assim... E seguimos nos acostumando com essa vida, com essas notícias e crimes. Ser vítima neste Estado é normal, já fomos assaltados outras vezes. Felizmente a amiga ama o Pará mais do que ama sua terra, ou então eu ficaria gago de vergonha tentando explicar que isso por aqui é normal, e que não fosse embora levando uma ideia ruim do Estado, a gagueira típica dos que ficam sem explicação para dar diante dos absurdos da vida nessa terra.

domingo, 8 de maio de 2011

Chicória

A notícia é antiga, data de 30 de março de 2011, mas decidi colocá-la no blog mesmo assim. Sem qualquer viés religioso, ou algo parecido, é perfeita ilustração de que não se deve reclamar da vida por nada (o que parece ser característica usual do ser humano). A matéria, na verdade, é basicamente o relato de vida de Karina Aparecida Chicória, 27 anos, que ficou tetraplégica aos 14 anos, após levar uma facada na nuca que atingiu a coluna cervical. Segundo informações da Folha, Karina viveu por 13 anos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e era considerada a mais antiga moradora da instituição. Leia o relato:
"Faltava quatro meses para meu aniversário de 15 anos. Me lembro bem da data de quando tudo aconteceu, 13 anos atrás. Estava na casa de uma amiga, que cuidava de uma bocada de drogas.
Outra colega, a Cirley, que queria visitar o namorado na cadeia, me pediu para ficar no lugar dela. Em troca, me daria R$ 80.
Eu aceitei. Eu tinha 14 anos, era uma época que eu estava meio revoltada, com más companhias. Nunca havia experimentado droga, só maconha, nem vendido.
Ela me deu 28 papelotes de cocaína. Vendi um deles, mas depois percebi que havia perdido um.
Tive então uma ideia. Sabia que as meninas abriam os papelotes, pegavam um pouco de cada e refaziam um outro para vender e ganhar dinheiro. Pensei em fazer isso para repor a perda.
Estava terminando [o serviço] quando chegou o dono da droga. Ele ficou furioso com a Cirley e ela, brava comigo porque perdeu o emprego. Eu estava encostada no portão quando senti um negócio passar no meu pescoço. Era ela [a Cirley], que veio por trás e me deu uma facada na nuca. Antes de cair, eu a vi com a faca.

A NOTÍCIA
Minha cirurgia durou oito horas. Depois, foram 18 dias em coma e seis meses no CTI. No dia seguinte [à cirurgia], acordei com minha mãe me chamando. Eu me lembrava de tudo. Só xingava e queria me vingar da menina.
Três meses depois veio a notícia. A médica veio e disse que eu ia ficar tetraplégica. Perguntei: "o que é isso?"
Ela disse que eu perdi os movimentos do pescoço para baixo e que ficaria dependente de um respirador. Eu perguntei até quando. Ela respondeu: "Até quando Deus quiser".
Só chorava. Era conversar comigo que eu chorava. Foi assim uns quatro meses.
Até que o médico me deu uma bronca. "Já te expliquei várias vezes o que você tem e não é para você ficar chorando. Essa é a última vez que você vai chorar." E não chorei mais, só quando ficava muito triste.
VIDA NO HOSPITAL
Fiz muitos amigos aqui. É uma segunda família. E muita gente já aposentou.
Voltei a estudar --parei na 3ª série. Agora, já conclui o ensino fundamental. Também aprendi a pintar com a boca. Fiz oito quadros.
A internet me ajuda também. Tenho Orkut, MSN.
Converso com os pacientes novos, com os acompanhantes. Até o cantor Belo, meu ídolo, já veio me visitar.
SUICÍDIO
Há dois anos, entrei numa depressão feia, até tentei me matar. Tentei tirar o respirador à noite, mexendo o pescoço. Só que não consegui.
Acho que Deus falou: "Vou dar um susto nela, para ela acordar pra vida." Porque no outro dia, estava dormindo e o respirador saiu sozinho, sem eu querer.
Quando as enfermeiras chegaram, estava perdendo a consciência. Pedi perdão a Deus, vi que não queria morrer, eu queria viver.
CASA
Hoje [dia 29 de março de 2011] me despedi dos meus amigos do hospital [Ela voltou para casa no dia seguinte, 30 de março].
Planejei como seria a festa de despedida: as fotos projetadas em um telão, a música de fundo. Teve até convite.
Eu não via a hora de ir para casa. Tudo graças ao respirador que o Estado enviou, à ajuda do pessoal do HC e também porque minha mãe poderá ficar comigo.
SONHO
Quero continuar estudando, terminar o ensino médio. No começo, queria fazer enfermagem. Agora estou pensando em jornalismo, porque no hospital criei um jornal mural. Meu desejo era ir para casa. E esse é o primeiro sonho que estou realizando."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O resultado



- Papai, por que ele fez isso?
- Filha... Acho que a gente nunca vai ter essa resposta.
- Mas esse colégio não tinha segurança? Como ele entrou com as armas?
- Ele enganou a segurança, disse que ia dar uma palestra e entrou.
(silêncio)
- E isso não pode acontecer aqui, pai?
- Não, filha! Nunca! Nunca aconteceu e nem vai mais acontecer.
- Você tem certeza, papai?
- Tenho, filha. Tenho certeza.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Traficante tem direito? (complemento)

Apenas complementando a postagem anterior, acabo de ler a seguinte matéria: São Paulo arrecada R$ 1milhão em leilão de bens de traficantes
O Estado de São Paulo já realizou três leilões desse tipo, arrecadando R$ 1,85 milhões, tudo isso entre 2007 e 2010. Dos 218 itens leiloados neste 4º Leilão, somente uma aeronave não foi arrematada, pois nenhum lance chegou perto do valor mínimo de R$ 25 mil.
Os valores arrecadados nestes leilões são destinados à política de combate, prevenção e tratamento ao uso de drogas e recolhidos ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), com distribuição de 80% para o Estado de São Paulo e 20% para o governo federal.
Já no Rio de Janeiro, os bens que poderiam significar incremento no combate ao crime e no incremento de políticas públicas de combate ao uso de drogas se perdem sem que ninguém faça nada.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Traficante tem direito?

Foi um verdadeiro descalabro. De repente os traficantes que eram os donos dos morros cariocas se viram em plena fuga, corrida sorrateira para se esconder e escapar da cana. Muitos foram presos, outros se entregaram. Alguns ainda estão escondidos por ali, por lá, esperando para ver o que fazer. Mas todos eles, quase sem exceção, tiveram de abandonar uma vida inteira para trás - e uma vida inteira, breve vida, de traficante, geralmente significa muitos e caros bens materiais.
Uma foto que me surpreendeu, dentre outras tantas, era assim: o morro sendo ocupado pela Polícia e uns moleques se divertindo em uma piscina bem bonita, no que seria a luxuosa casa de um traficante. Logo imaginei: mas que coisa? O mundo acabando e os filhos do traficante se divertindo. Como assim?
Somente lendo o texto pude entender: a casa realmente era de um traficante. Mas as crianças que se divertiam na piscina, essas não pertenciam ao bandido. Eram crianças da comunidade que, junto com tantas outras pessoas, aproveitaram a fuga dos chefões e resolveram desfrutar do luxo. Acontece que aproveitar, nestes dias sem leis do Rio de Janeiro, não se limitou a banhos de piscina.
Li na coluna do Ricardo Setti que inúmeras residências, que pertenceriam a membros ativos do tráfico, foram limpadas com a rapidez dos que fazem coisa errado. Móveis foram levados, eletrodoméstico foram surrupiados. Até chuveiros, torneiras e maçanetas desapareceram. E diante disso tudo, o que fez o Estado? "Pior do que os saques, porém, foi a atitude de policiais civis e militares diante do que ocorria diante de seus olhos: absoluta indiferença. Comportavam-se como se nada estivesse acontecendo, muito menos crimes. Um deles chegou a dizer a um repórter da Globo: “Ah, o pessoal viu que era casa de vagabundo [forma pela qual normalmente os policiais se referem a criminosos] e começou a pegar as coisas”. Ele estava fardado, protegido por colete à prova de balas e portava uma metralhadora. Não esboçou um só gesto de autoridade, não moveu um só músculo."
Primeiro ponto: todos têm direitos estabelecidos em lei, sejam traficantes ou não. Em fuga ou presos, mortos ou vivos, o que pertence a eles deveria ter sido protegido pela polícia. Permitir que saques ocorram, somente por terem sido perpetrados contra bens de bandidos, não está correto.
Segundo ponto: se os bens foram adquiridos por meio de práticas ilícitas, deviam ter sido preservados pelo Poder Público para que, no futuro, pudessem servir como indenizações, et cetera.
Mas agora é tarde, Inês é morta. Os bens se perderam e muito vão passar um natal mais feliz e rico. Só resta à Polícia carioca requisitar filmagens e imagens para tentar identificar os saqueadores e tomar as devidas providências. Se quiserem, claro. Se quiserem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

França Profunda


Sabrina tinha 23 anos quando seus pais resolveram usá-la como parte do pagamento por um carro usado. Ela foi estimada em 750 euros (cerca de dois mil reais) e assim a negociação foi concluída. Isso tudo no ano de 2003, na região de Seine-et-Marne, área central da França, em um acampamento miserável de trailers.
O casal Franck Franoux e Florence Carrasco, que aceitou Sabrina como pagamento, passou a utilizá-la para os mais variados fins: como escrava doméstica, Sabrina cuidava da casa e dos sete filhos de seus donos; como escrava sexual, ela servia às vontades dos dois e, eventualmente, era obrigada a se prostituir. Geralmente ela dormia ao relento, mesmo no rigoroso inverno francês, e se alimentava somente com as sobras da família. Por diversas vezes ela foi estuprada e torturada.
O calvário de Sabrina, que revela uma face quase esquecida de certos problemas, os crimes sexuais que parecem existir somente na cruel realidade de países subdesenvolvidos, durou de 2003 até final de 2006 – quando a mulher, gravemente doente, passou a representar um estorvo para seus donos.
Pesando pouco mais de 34 quilos, Sabrina foi largada diante de um hospital de Paris. Ela não tinha mais nenhum dente e seus cabelos estavam raspados. Orelhas e nariz, mutilados durante anos seguidos, foram reconstruídos após diversas cirurgias. Pelo corpo, além de hematomas e cicatrizes, inúmeras queimaduras decorrentes de tortura.
Após a descoberta da desgraça que ocorria em uma região próxima à elegante capital francesa, 14 pessoas foram presas e serão julgadas – dentre elas, os pais que venderam a filha. Se forem considerados culpados, os acusados poderão ser condenados a penas que variam entre dois e 15 anos de prisão (o julgamento está previsto para terminar em 17 de dezembro de 2010).
Enquanto isso Sabrina, hoje com 30 anos, busca ter uma vida normal – mesmo que a convivência com o pesadelo seja ainda muito próxima: “Em algumas noites eu tenho lembranças. Eu não durmo”, afirmou ela ao jornal Le Parisien.
Realmente, deve ser difícil dormir com tanto barulho a atormentar a vida, as marcas na alma que conseguem ser piores do que as marcas no corpo.
As informações são da BBC Brasil e da Elle francesa.

domingo, 7 de novembro de 2010

Enquanto isso, em Maceió

A manchete revela o absurdo: "Após 30 assassinatos, moradores de rua de Maceió dormem em árvore e em porta de delegacia para fugir da violência". Todos os assassinatos ocorreram este ano, a maioria durante a noite ou de madrugada. Mais da metade dos casos ocorreu sem a utilização de armas de fogo, mas sim com armas brancas ou espancamento. Segundo a Polícia Civil, como os crimes foram isolados, sem nenhuma ligação aparente entre si, não há indícios da existência de um grupo de extermínio (a maior parte dos assassinatos, segundo apuração da Polícia Civil, foi motivada por acerto de contas entre os próprios moradores).
O único albergue público da capital tem somente 50 vagas, número insuficiente para atender aos necessitados que habitam as rua de Maceió. E foi diante dessa situação cruel que começaram a surgir fórmulas inovadoras em busca de salvação e proteção: José André da Silva, 29 anos, construiu uma casa de madeira e lona em cima de uma árvore, no mirante de Santa Terezinha, ponto movimentado do bairro do Farol, centro da capital alagoana. Outros, menos criativos - mas igualmente desesperados e temerosos - passaram a dormir na porta de delegacias.  A preferida é a delegacia de Homicídios, no conjunto Santo Eduardo, onde "esta semana dormiram oito moradores de rua (...). Eles disseram aos meus policiais que se sentiam mais protegidos lá", contou a delegada de Homicídios de Maceió, Rebeca Gusmão.
O mais absurdo é que a notícia chamou a atenção de todas as autoridades que poderiam por fim ao drama: da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos ao Ministério Público Estadual, da Justiça à polícia, todos se uniram para por um fim à matança, não obtendo êxito até o momento. Segundo o secretário de Assistência Social de Maceió, na próxima semana o município vai dobrar o número de lugares no albergue público, além de constantes rondas feitas pela PM e Guarda Municipal.
Enquanto isso os moradores de rua se amontoam onde podem, onde é mais seguro, mesmo que isso signifique construir uma casa de árvore numa das ruas mais movimentadas da cidade. Tudo tão absurdo mas parecendo tão normal...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Medo justificado

Hoje fui procurado pela produção de um canal de tevê. Eles se mostraram interessados na história do Vinícius. Leram aqui no blog e pretendiam uma matéria sobre a violência e os absurdos da cidade. Liguei para ele e pedi autorização para passar contatos, permissão que foi concedida juntamente com o aviso de que não aceitaria falar e nem gravar nada. Segundo me contou, várias pessoas estão recomendado que não denuncie e nem busque uma resposta oficial, o medo de sempre diante de possíveis represálias, desta vez aliado ao medo decorrente do assalto que perdurará por algum tempo.
E eu pergunto a vocês: quem terá coragem de tirar tal razão dele?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Entregue aos crápulas

Acabo de receber um e-mail indignado da Karina Pombo, leitora deste blog. O relato feito é absurdo por seu desfecho impregnado de descaso e malevolência, mas tirem suas próprias conclusões:

Na terça-feira Vinicius foi parado por quatro homens armados na esquina da José Bonifácio com Conselheiro. É justamente uma das esquinas sem carrinhos de playmobil - pois eles geralmente ficam na José Bonifácio com Mundurucus e, dois quarteirões adiante, na esquina na José Bonifácio com Gentil. Após ser parado e jogado no banco de trás do veículo, Vinicius foi seguidamente agredido com socos e palavrões até que os assaltantes resolveram colocá-lo na mala do carro, perto da Duque de Caxias. Para quem não conhece a vítima, e eu a conheço, se trata de um homem alto e forte que, obviamente, não coube de forma satisfatória no local que lhe era destinado. Por conta disso, do seu não cabimento, levou mais socos e foi obrigado a se arranjar no espaço apertado que lhe impunham. Depois de algum tempo, já livre das agressões, Vinicius percebeu que ainda estava com o celular num dos bolsos esquecidos da calça. Prontamente, entre arranjos e esticadas, conseguiu pegar o aparelho e ligou para quem poderia ajudá-lo - pelo menos era isso que ele achava - o serviço de emergência 190 das polícias Civil e Militar.
Não demorou para ser atendido e foi logo explicando, à pessoa que lhe atendia, o mal que sofria naquele exato momento. Disse ter sido rendido e agredido por homens armados, disse estar preso no porta-malas do carro e pediu que lhe ajudassem. A atendente, diante do desespero da vítima, se limitou a perguntar se ele poderia informar sua localização exata, sendo obvio que a resposta foi negativa. E diante disso, diante do homem que estava em risco e pedia ajuda, diante do homem que teve sorte de não ser executado por ladrões raivosos por um nada, diante disso tudo a atendente do serviço de emergência 190 se limitou a informar que não poderia ajudar e, em seguida, desligou o telefone sem perguntar mais nada, marca  ou placa do veículo, sem perguntar  mesmo o nome de quem ligava e mesmo sem dizer um "até logo, senhor. Boa sorte". Nada...

Eu poderia terminar o relato aqui, neste ponto, sem escrever mais diante da inexistência de palavras que possam descrever o absurdo que representa a situação acima.

Mas não poderia deixar de informar que Vinicius está bem, que depois de uma hora de pavor e receios foi largado trancado no carro, quase no final da Doca de Souza Franco. Foi libertado por um bom samaritano que, tendo observado a movimentação de longe, acabou por descobri-lo trancado e prestou auxílio que podia. 
No dia seguinte ele procurou a polícia e registrou ocorrência. Agora, passado o susto, aguarda a devida movimentação do caso.

E de tudo isso eu pergunto: como pôde um funcionário público ligado à área de segurança pública, respondendo por um sistema de emergência que, em regra, de forma absoluta, deveria prestar auxílio ao cidadão - qualquer auxílio que fosse - desligar na cara de uma pessoa em perigo que, justamente, lhe procurava como tábua derradeira de salvação? Como? 
São coisas que só acontecem em Belém, que só acontecem no Pará, os policiais que fizeram juramento de dar sua vida pelo cidadão agindo como crápulas.
E como explicar que tal coisa aconteça numa cidade hiperpoliciada, carrinhos playmobil em quase cada esquina, policiais que recebem, por dia, somente cinco litros de gasolina e que ficam impossibilitados de realizar grandes deslocamentos?

Por sorte Vinicius está bem. Por sorte, não morreu ou levou um tiro, a família que pode festejar a renascença nesta cidade de morte escondida a cada esquina. Porém, por azar, estamos entregues a tais situações, buscar socorro e, diante de uma incapacidade causada pela situação de risco, levar um telefone na cara.
Karina Pombo, que me mandou o relato absurdo por e-mail, faz algumas sugestões:
1. Comprar um GPS, ou celular com tal função, e torcer que os bandidos não o vejam quando do assalto;
2. Caso não tenha como comprar os itens acima, buscar decorar as ruas de Belém e de Ananindeua ao ponto de saber que, do local do assalto, uma para esquerda e duas para a direita, você estará numa determinada rua;
3. Se nenhuma das opções acima der certo reze - mas reze muito - para que o atendente da polícia que estiver de plantão na hora em que você precisar esteja com vontade de trabalhar e possa, se não lhe localizar, ao menos dispensar um minuto em simples e humana atenção.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Resta a reza

T é vigilante de uma agência bancária no interior do Pará. Por conta de sua profissão, já vivenciou dois assaltos - um em 2009, outro em 2010 - sendo que em ambas as ocasiões ele foi feito refém e bastante humilhado. Segundo me relatou, o 1ª assalto foi obra de profissionais (e por isso ele agradece todos os dias). Já no segundo, ele e os demais tiveram que contar com a sorte: inexperientes e nervosos, os bandidos crivaram a agência com tiros de espingarda calibre 12 mas não atingiram ninguém.
Quem julgar T pela aparência terá dificuldades em crer na sinceridade e reconhecimento de seus medos. Mas o homem alto e corpulento, com cara de poucos amigos, armado e vestido com o colete é capaz de assumir seu pavor diante da chegada de pessoas estranhas sem maiores problemas.
Ele relata que fica 'branco como essa parede' (e nesse ponto ele mostra uma das parede com marcas de bala), com o coração na boca ao notar a aproximação de carros desconhecidos - 'principalmente as caminhonetes, as S-10, que são as preferidas dos bandidos', explica.
É por pouco mais de 800 reais que ele deixa, todos os dias, mulher e filhos em casa em rezas e pedidos constantes de proteção, todos eles em angustiante espera por um novo assalto - e um novo assalto é questão de tempo!
A cidade e os arredores estão sob a rigidez do chamado 'Alerta Vermelho' da Polícia Civil. Significa que todos os bancos tiveram vigilância redobrada por conta de informações sobre uma quadrilha que ronda aquelas paragens. Os bandidos só aguardam o momento certo para praticar mais um roubo, e a polícia faz sua parte, tenta identificar suspeitos e lança alertas (naquele exato momento, por exemplo, todos se inquietavam com um suposto Corolla vermelho. Mesmo eu, o advogado de Belém que andava com uma sacola enorme - a inseparável máquina fotográfica, fui visto com olhos estranhos e desconfiança).
Enquanto isso, é T quem vigia a porta de entrada da agência, ele o escolhido para prestar o primeiro combate ou a primeira rendição.
Após o assalto de 2009, a empresa na qual trabalha não ofereceu qualquer espécie de benefício. Já no 2º, o mais traumatizante, disponibilizaram uma psicóloga em Belém, e eles tiveram somente um encontro: 'não tinha como pagar pelas passagem e não tenho onde ficar lá. Ela me ajudou, mas ela está lá e eu estou aqui. Preferi deixar de lado'.
Foi T quem se responsabilizou por estar cedo no local do crime nos dias seguintes aos roubos, a necessidade de se abrir o estabelecimento para contabilizar os prejuízos. 'Depois da segunda vez, pensei seriamente em abandonar o serviço e procurar outro emprego. Mas não posso, nenhum lugar vai me pagar o que pagam aqui. Mas se tiver outro assalto mesmo, um terceiro, e eu sobreviver, juro que não volto no banco'.
E enquanto isso, na pequena cidade de pouco mais de 20 mil habitantes, cercada pelo receio e pela desconfiança, sobram a todos rezas e pedidos de que tudo termine bem.

domingo, 29 de agosto de 2010

Playmobil

Do nada - de repente, não mais que de repente - a cidade se encheu de carrinhos com sirenes e símbolos da PM. 
Ocupados por dois policiais (geralmente), os tais carrinhos começaram a marcar presença nas calçadas das ruas mais movimentadas e, não raro, passei a cruzar com eles quase que diariamente.
Logo descobri que se tratava de contrato para melhorar a segurança na cidade mediante a locação de viaturas novinhas para os milicos.
Louvável... Louvável... A PM está equipada e a frota poderá ser trocada mais facilmente.
Mas eu me pergunto: agora, faltando pouco mais de um mês para as eleições, tudo melhorou? A cidade estará bem policiada e não precisaremos mais entoar o "quem poderá nos salvar" de todo dia? 
Maravilha... Maravilha...
Mas por que isso tudo não foi feito nos três anos anteriores de governo? 
Por que não se pensou nesta salvação nos dias tenebrosos de diários assaltos com reféns, seqüestros relâmpagos e uma penca de gente morrendo por nada? 
Por que somente agora, governadora? 
Por que não antes?
Vislumbro três resposta: [1] talvez agora, diante do pleito que significa referendo ao seu governo, a governadora queira mostrar que a cidade está bem guardada, com ruas tranqüilas e pacíficas, praticamente uma Suécia; [2] além de maquiar as ruas, a Governadora também evita, com o aumento do policiamento, um crime bárbaro e cruel que poderia jogar contra si a opinião pública (e ela escapou por pouco de sofrer com isso, graças a Deus!, com a bravura da sobrevivência da Marina Eiro!); [3] talvez seja genuíno interesse na melhoria da segurança na cidade, a capital mais violenta do país.
Qualquer que seja a motivação, espero firmemente que tais carrinhos não sumam de nossas ruas e calçadas após o mês de outubro, não importando quem seja o vencedor nesta cidade que se vê entregue à bandidagem, os donos absolutos de nossas vidas.
Chego até a agradecer pelo fato de a cidade estar bem policiada - mesmo que somente agora.
Mas deixo dois pontos de reflexão - e espero que vocês REFLITAM:
[1] Já imaginaram os pobres militares em perseguição pelas ruas de Belém, os bandidos num carro motor 1.4 e os milicos num carro motor 1.0 (se bem que tal perseguição seria de cinco em cinco metros por conta dos constantes engarrafamentos)? Obviamente os bandidos têm maiores chances de ganhar a partida.
[2] Já pensaram se os militares, agora em maior número e equipados com muitas viaturas, começarem a prender bandidos de forma acelerada? Onde vão colocá-los? As cadeias das Seccionais estão abarrotadas, os presídios também! Será que eles ficarão nos porões do Palácio dos Despachos?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mobilização Policial

São duas hora da manhã da terça-feira. No quarteirão das ruas Mundurucus, Benjamin e Conselheiro, perto do Horto, há uma verdadeira mobilização de carros da Polícia Militar. Da janela escuto gritos, muitos gritos.
Consegui contar 11 viaturas da PM mas não consigo saber o que é. Antes disso, ouvi um forte barulho de pneus e os carrinhos da polícia percorrendo o bairro todo, inclusive na contra-mão, como se procurando algo.
Definitivamente, eles encontraram.
Não sei do que se trata, mas espero que tudo termine bem.

P.s.1: de onde saíram tantos carrinhos de polícia, frágeis Fiat Pálio que nem combinam com a robustez da PM? Nunca os vi antes pelas ruas...
P.s.2: Definitivamente, as ferias acabaram. Belém volta a ser Belém. Tranquem suas portas e janelas bem, ok?